Alerta climático
Sinais no clima reacendem alerta para cheias nas Gêmeas do Iguaçu
Especialista da Clima Terra, Ronaldo Coutinho, detalha como chuvas frequentes, solo encharcado e fatores ambientais influenciam o nível do Rio Iguaçu
Publicado em
21/04/2026 às 09:28
Atualizado em
A possibilidade de cheias em União da Vitória e Porto União, as chamadas Gêmeas do Iguaçu, voltou a ser discutida pela população diante do cenário climático atual. Para esclarecer o tema, a reportagem ouviu o engenheiro agrônomo da Clima Terra, Ronaldo Coutinho, que analisou as condições meteorológicas e os fatores que podem influenciar o nível do Rio Iguaçu nos próximos meses.
Monitoramentos recentes apontam anomalias de aquecimento no Pacífico Equatorial, padrão associado ao El Niño, embora o fenômeno ainda não tenha sido oficialmente declarado, segundo análises divulgadas na imprensa e por órgãos de clima.
É um fenômeno climático global caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e influencia o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das precipitações, embora não seja o único fator responsável por enchentes.

Ronaldo Coutinho, engenheiro agrônomo da Clima Terra, analisou o cenário climático e os fatores que influenciam o nível do Rio Iguaçu
Enchentes não dependem só do fenômeno
Levantamentos da Agência Nacional de Águas (ANA) e do CPTEC/INPE indicam que episódios de El Niño costumam aumentar o volume de chuvas no Sul do Brasil, o que eleva o risco de cheias em bacias como a do Rio Iguaçu. Eventos históricos, como os de 1983, 1998 e 2015–2016, ocorreram sob influência do fenômeno. Ainda assim, especialistas ressaltam que enchentes não dependem exclusivamente do El Niño e podem ocorrer em diferentes condições climáticas, conforme fatores locais e a persistência das chuvas.

Mapa global mostra anomalias da temperatura da superfície do mar, com predomínio de águas mais quentes em várias regiões — sinal monitorado para o El Niño. — Foto: NOAA Coral Reef Watch
Segundo o Ronaldo Coutinho, a ocorrência de cheias não está restrita a um único cenário climático. “Você pode ter enchente com El Niño, La Niña ou neutralidade. O que muda é a característica dessas enchentes”, afirmou.
De acordo com ele, em anos de El Niño há maior probabilidade de eventos prolongados e frequentes, enquanto em períodos de La Niña as ocorrências tendem a ser mais curtas, embora também possam atingir grande intensidade.
Cenário atual é de transição
Coutinho explica que o momento atual indica uma mudança no padrão climático, com tendência de aumento gradual das chuvas.
“O El Niño está em formação. Já há sinais no Pacífico, e o padrão típico começa a se organizar na América do Sul. É questão de tempo para sairmos de um período mais seco para um cenário de chuvas mais frequentes”, disse.
Segundo ele, esse processo não ocorre de forma imediata, mas progressiva, com impacto direto no comportamento dos rios.
Como as cheias se formam
O especialista destaca que as enchentes no Rio Iguaçu geralmente seguem um processo gradual.
“Primeiro a chuva começa a ocorrer com mais frequência, o solo vai saturando e, depois, com precipitações mais intensas, o nível dos rios começa a subir”, explicou.
Eventos extremos, com grande volume de chuva em poucos dias, também podem provocar elevações rápidas, mas são considerados menos comuns.

União da Vitória é caracterizada por fortes enchentes, que cobriram boa parte da cidade — Foto: Arquivo pessoal/Luíza Helena/Edegar Gasnhar
Período mais crítico
Conforme Coutinho, o período entre julho e novembro concentra maior risco de cheias na região Sul.
Ele também aponta que outros fatores podem intensificar o cenário, como o aquecimento do Oceano Atlântico, que aumenta a umidade disponível e pode potencializar os volumes de chuva.
Histórico e variabilidade
Apesar da associação frequente entre El Niño e cheias, o especialista ressalta que eventos significativos já ocorreram em diferentes condições climáticas.
“Grandes enchentes costumam ocorrer em anos de El Niño ou em neutralidade associada a ele, mas também podem acontecer em La Niña. Cada evento tem suas particularidades”, afirmou.
Fatores locais aumentam impactos
Além das condições climáticas, fatores ambientais e urbanos influenciam diretamente os impactos das cheias.
Entre os principais pontos citados estão:
- ocupação de áreas próximas aos rios
- redução da vegetação nas margens
- assoreamento e acúmulo de resíduos
- falta de manutenção de sistemas de drenagem
“O problema não é só a chuva. A forma como o espaço é ocupado e cuidado interfere diretamente nas consequências”, destacou.
Orientação à população
O especialista orienta que a população acompanhe as previsões e respeite áreas de risco.
Ele também ressalta a importância de ações preventivas, como limpeza de canais, preservação ambiental e planejamento urbano adequado.
Projetos e estudos
Em paralelo ao monitoramento climático, governos estaduais e instituições ambientais desenvolvem estudos para reduzir os impactos de cheias no Vale do Iguaçu.
O Governo do Paraná informou, em publicações oficiais, que investe na elaboração de um anteprojeto de engenharia para a bacia do Rio Iguaçu. O estudo é conduzido pela Universidade Livre do Meio Ambiente e reúne levantamentos históricos sobre enchentes na região.

Enchente na cidade, em 1983 — Foto: Arquivo/Prefeitura de União da Vitória
Segundo o governo estadual, a proposta é consolidar dados técnicos para avaliar a viabilidade de obras estruturais, como canais extravasores, túneis e intervenções na calha do rio, com foco na redução de alagamentos em União da Vitória e Porto União.
O trabalho também envolve integração entre órgãos ambientais dos dois estados, como o Instituto Água e Terra (IAT) e o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, para garantir que medidas adotadas em um lado do rio não gerem impactos no outro.
Há registros de ações pontuais, como elevação de vias e projetos de requalificação urbana Entre elas está a elevação de vias em áreas sujeitas a alagamentos e projetos de requalificação urbana, como parques lineares, que contribuem para reduzir ocupações em áreas de risco.
Sem retorno das autoridades
A reportagem procurou a assessoria do deputado estadual Hussein Bakri e as prefeituras de União da Vitória e Porto União para detalhar ações de prevenção e projetos relacionados às cheias, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Ouça a entrevista na íntegra
O cenário atual indica aumento gradual das chuvas nos próximos meses, mas não permite afirmar, de forma isolada, a ocorrência de enchentes. Especialistas apontam que o risco depende da combinação entre fatores climáticos e condições locais ao longo do tempo.
Para ouvir a entrevista completa com Ronaldo Coutinho, o leitor pode acessar o player disponível no início desta reportagem.
Fonte: Portal da Cidade União da Vitória
Notícias relacionadas
União da Vitória realiza capacitação para profissionais de salões de beleza e barbearias
11/06/2026 às 10:43
Provopar de União da Vitória lança Campanha do Agasalho 2026
11/06/2026 às 07:53
Simulado reúne bombeiros do Sul para aperfeiçoar resposta a desastres naturais
10/06/2026 às 16:20
Comunidade se prepara para a Festa do Sagrado Coração de Jesus em União da Vitória
10/06/2026 às 15:53
União da Vitória terá caravana para participar da Feira do Empreendedor Sebrae
10/06/2026 às 15:36
Acadêmicos de Medicina Veterinária UGV promovem ação na Associação Profeta Daniel
10/06/2026 às 15:14