POTENCIAL REGIONAL
Mata nativa e produção de mel dão ao Planalto Norte potencial para crescer
Encontro regional em Porto União debateu como transformar a produção em mais renda para agricultores e fortalecer a cadeia.
Publicado em
21/08/2026 às 07:37
Atualizado em
Produtores, técnicos e representantes de instituições ligadas à cadeia apícola participaram, na quarta-feira, dia 19, do Encontro Regional de Apicultura e Meliponicultura do Planalto Norte Catarinense, realizado no Pesque e Pague Água da Serra, em Porto União. A programação reuniu conhecimento técnico, troca de experiências e discussões sobre os próximos passos para o fortalecimento de uma atividade que possui importante presença econômica e produtiva na região.
Realizado pela Epagri, Molimel – Associação Apícola do Rio Espingarda e Prefeitura de Porto União, em parceria com o Sebrae/SC e com apoio da Cresol, o encontro abordou temas como nutrição apícola, meliprodutos e produção de pólen. A programação também abriu espaço para discutir desafios relacionados à profissionalização dos produtores, processamento da produção, agregação de valor e preparação para novos mercados.
Para a gerente regional Centro-Norte do Sebrae/SC, Aglaes Beatriz Meirelles da Silva, o desenvolvimento da cadeia passa pela combinação entre conhecimento técnico, organização dos produtores e visão empresarial. “A região possui uma cadeia com grande potencial, produtores experientes e produtos capazes de alcançar mercados cada vez mais exigentes. O desafio é fazer com que toda essa qualidade também se transforme em valor para quem produz. Quando trabalhamos profissionalização, gestão, produtividade, agregação de valor e acesso a mercados, contribuímos para tornar a atividade mais competitiva e gerar novas oportunidades de renda no território. O Sebrae/SC está ao lado desses produtores e parceiros justamente para apoiar essa evolução”, afirma.
O presidente da Molimel, Laércio Carlos Staciaki, que também representa a Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (FAASC), destacou que o encontro reuniu duas agendas importantes, o encontro dos apicultores da associação e o tradicional Encontro Regional de Apicultura promovido pela Epagri no Planalto Norte. Segundo Staciaki, um dos principais diferenciais para o desenvolvimento da atividade está na articulação construída ao longo dos anos. “A gente destaca principalmente as parcerias. Graças às parcerias, conseguimos crescer cada vez mais”, afirmou. Entre as instituições citadas pelo presidente estão Prefeitura de Porto União, Sebrae/SC, Epagri, Senar e Cidasc, além de empresas privadas que desenvolvem ações em conjunto com a associação.
Produzir bem e avançar na comercialização
O Secretário de Agricultura da Prefeitura de Porto União, Bruno Bordin Lenci, ressaltou as características do território como um dos diferenciais para a produção apícola. A grande extensão territorial, a presença de mata nativa e a disponibilidade de alimento para as abelhas criam condições importantes para o desenvolvimento da atividade.
Para Lenci, um dos desafios está justamente em fazer com que o valor gerado pela produção permaneça cada vez mais no território. “O produtor é ótimo para produzir, mas temos dificuldades para vender. Da porteira para fora é um problema. A associação vem se estruturando justamente nessa questão, buscando profissionalização e uma visão empresarial”, destacou.
Ele também ressaltou o trabalho realizado para preparar a Molimel para acessar novos mercados. A obtenção do Serviço de Inspeção Federal integra esse processo e abre possibilidades para que a produção avance em direção à exportação. Na avaliação de Lenci, esse movimento tem potencial para beneficiar não apenas Porto União, mas produtores de todo o Planalto Norte.
Região tem potencial para agregar mais valor ao mel
O extensionista rural da Epagri e coordenador de ATER da UGT 4 – Planalto Norte Catarinense, Johnny Fuzinato Franzon, explicou que o Encontro Regional de Apicultura é realizado há mais de dez anos e desempenha papel importante na qualificação e articulação dos produtores.
Segundo ele, o Planalto Norte possui produção expressiva de mel, com presença da atividade em municípios como Porto União, Mafra, Itaiópolis, Major Vieira, Monte Castelo, Rio Negrinho, São Bento do Sul, Campo Alegre e Canoinhas. Um dos desafios, entretanto, está em ampliar o processamento da produção dentro da própria região.
“Como produto primário, como matéria-prima, nós temos uma grande área e uma grande produção, mas ainda precisamos fortalecer o processamento. Esses eventos contribuem para isso, inclusive por meio do fortalecimento de associações e cooperativas da região”, explicou Franzon. Outro diferencial apontado pelo extensionista é a participação do Planalto Norte na área da Indicação Geográfica do Mel de Melato da Bracatinga.
De acordo com ele, trata-se de um produto com potencial de agregação de valor, especialmente no mercado externo. A perspectiva de exportação, portanto, aparece como um dos caminhos para ampliar as oportunidades da cadeia produtiva regional. (Com informações e foto do Sebrae e Epagri)
Fonte: Assessoria
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