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COMÉRCIO EXTERIOR

Porto União e região têm mais de R$ 1,5 bilhão em exportações ameaçadas por tarifas

Levantamento aponta impacto em municípios do Planalto Norte, com setores de madeira, máquinas e produtos industrializados entre os mais atingidos.

Publicado em 28/07/2026 às 11:56

Imagem ilustrativa (Foto: Secom/divulgação)

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros atingem diretamente municípios da região de Canoinhas, onde setores ligados principalmente à madeira, máquinas e outros produtos industrializados possuem participação relevante nas exportações para o mercado estadunidense.

Levantamento elaborado pelo jornal O Estado de S.Paulo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que seis municípios da região aparecem entre as cidades brasileiras afetadas pelas novas sobretaxas. O levantamento considera os dez grupos de produtos brasileiros mais impactados pelas duas novas tarifas e as exportações de 2024, quando não havia tarifaço. Dentro dos grupos, há mercadorias específicas afetadas apenas por uma das sobretaxas e outras afetadas pelas duas.

Considerando os valores das exportações de 2024 enquadradas entre os grupos atingidos, Três Barras, Papanduva, Mafra, Porto União, Itaiópolis e Canoinhas somam aproximadamente US$ 110 milhões em vendas potencialmente afetadas. Convertido para o real e incluindo Caçador que, embora fique no Vale do Rio do Peixe, está ao lado do Planalto Norte, o valor afetado passa de R$ 1,5 bilhão. Caçador, por sinal, é a 10º cidade mais impactada do País segundo o levantamento.

O impacto ocorre depois de os Estados Unidos aplicarem duas novas sobretaxas aos produtos brasileiros. A primeira, de 25%, entrou em vigor na quarta-feira, 22. No dia seguinte foi anunciada outra tarifa, de 12,5%, vigente desde sexta-feira, 24. Para determinados produtos submetidos às duas medidas, a tributação adicional chega a 37,5%.

Municípios afetados pelo novo tarifaço dos EUA

Ranking mostra o valor das exportações de produtos atingidos pelas novas tarifas norte-americanas, com base nas vendas de 2024.

  • 10º Caçador US$ 176.009.359
  • 42º Rio Negrinho US$ 54.245.980
  • 68º Três Barras US$ 25.239.408
  • 131º Papanduva US$ 9.345.550
  • 174º Mafra US$ 6.789.461
  • 191º Porto União US$ 5.678.266
  • 218º Itaiópolis US$ 4.291.439
  • 254º CanoinhasUS$ 3.140.794
  • 328º São Bento do Sul US$ 1.156.479

Destaque regional

Três Barras aparece na 68ª posição nacional, com US$ 25,2 milhões em exportações de produtos atingidos, o maior valor entre os municípios da região de Canoinhas listados no levantamento.

Valores em dólares (US$). As barras representam a proporção de cada município em relação ao maior valor exibido no gráfico, Caçador.

Entre os municípios do Planalto Norte, Três Barras apresenta de longe a maior exposição. O município ocupa a 68ª posição nacional no levantamento, com US$ 25.239.408 em exportações de produtos atingidos pelas medidas estadunidenses. O valor representa quase metade dos US$ 54,5 milhões contabilizados nos seis municípios da região incluídos no levantamento. Embora seja um polo da indústria de papel, é a madeireira que vai representar maior prejuízo. Dos US$ 25,2 milhões exportados para os EUA em 2024, apenas US$ 340 mil corresponderam a papel e celulose. O restante foi madeira.

Papanduva aparece na sequência, ocupando a 131ª colocação brasileira, com US$ 9.345.550 em exportações alcançadas pelas novas tarifas.

Mafra ocupa a 174ª posição, com US$ 6.789.461, enquanto Porto União está em 191º lugar, com US$ 5.678.266 (Madeira, carvão vegetal e obras de madeira 5.678.266)

Itaiópolis aparece na 218ª colocação nacional, com US$ 4.291.439 em vendas. Canoinhas ocupa a 254ª posição, com US$ 3.140.794 em exportações relacionadas aos grupos de mercadorias atingidos.

Somente Três Barras e Papanduva, portanto, concentram cerca de US$ 34,6 milhões do total regional.

Outras cidades da região também aparecem no levantamento

O impacto se estende a outros importantes polos industriais de Santa Catarina. Caçador está em décimo lugar no ranking nacional, com US$ 176.009.359 em exportações atingidas, sendo o município catarinense de maior destaque entre os apresentados no levantamento.

Rio Negrinho ocupa a 42ª posição, com US$ 54.245.980. São Bento do Sul aparece em 328º lugar, com US$ 1.156.479. Joinville lidera os prejuízos em Santa Catarina.

Madeira está entre os produtos atingidos

O levantamento considera dez grupos de produtos brasileiros mais afetados pelas duas novas tarifas e utiliza como referência as exportações realizadas em 2024, antes da aplicação das medidas. Entre as mercadorias submetidas às duas sobretaxas estão madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados e gorduras vegetais e animais, além de outros produtos.

A presença da madeira entre os setores atingidos tem importância particular para o Planalto Norte, devido à participação da cadeia florestal e madeireira na economia regional.

Outros produtos relevantes da pauta brasileira, entretanto, ficaram fora das duas novas taxações, entre eles carnes, café, combustíveis e suco de laranja.

A tarifa adicional de 25% foi adotada pelo governo Trump sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais. Já a sobretaxa de 12,5% faz parte de uma medida dos Estados Unidos contra parceiros comerciais que, segundo o governo estadunidense, não teriam adotado medidas suficientes para combater a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.

Para os municípios da região de Canoinhas, o efeito econômico dependerá agora da capacidade das empresas exportadoras de absorver parte da sobretaxa, renegociar preços com compradores dos EUA ou buscar outros mercados para os produtos afetados

Fonte: JMais Canoinhas

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