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Fisioterapia Desportiva

Tokyo 2020 evidencia o fisioterapeuta desportivo – mais uma vez...

Postado em 09/08/2021 às 02:17

 Grandes eventos esportivos normalmente ocorrem periodicamente: por exemplo Copa do mundo e as olímpiadas (quatro em quatro anos) - Rio 2016 e agora a Tokyo 2020 – ocorrendo em 2021 devido a pandemia global da Covid-19. Estes megaeventos esportivos são capazes de produzir grande impacto e deixar legados, acabam por evidenciar o esporte de maneira geral, mas uma das peças-chaves neste evento que entra em evidência, além dos atletas, é o fisioterapeuta desportivo. Acaba ganhando manchetes e reportagens de jornais e televisões, acelerando o processo de recuperação dos atletas e muitas vezes levando a um retorno a competição em um tempo imprevisível – relâmpago. Ainda vale destacar que toda essa mobilização referente aos esportes, acaba por incentivar o aumento do número de praticantes amadores e, consequentemente incentiva a cadeia de profissionais que atuam no segmento.

 Um estudo nos Jogos Olímpicos Rio 2016 teve por objetivo mapear as lesões musculares mais comuns nos atletas durante a competição. Sua publicação na Radiology, demonstra o resultado de 1.015 exames de imagem com mais de 700 atletas diagnosticados com ao menos uma lesão, seja muscular ou óssea. Ao todo, foram diagnosticadas 1.101 lesões entre os 11,2 mil atletas, de 206 países, de todas as modalidades esportivas. Os resultados apresentados pelo estudo foram um alto índice de lesão no atletismo, futebol e levantamento de peso, enquanto ferimentos por estresse foram mais comuns no atletismo, vôlei, ginástica artística e esgrima. Já o atletismo, hóquei na grama e ciclismo foram os responsáveis pelo maior número de Fraturas. Nos jogos olímpicos de Tokyo 2020 o índice de lesões vem aumentando, por exemplo o atleta belga Thomas Van der Plaetsen na prova de declato teve uma distensão muscular logo em sua primeira tentativa e acabou caindo durante um salto. Já entre os atletas brasileiros podemos destacar a lesão da judoca Maria Suelen que teve uma ruptura completa do tendão patelar, a entorse de tornozelo de Flávia Saraiva (ginasta), Pamela Rosa (skate) e a levantadora Macris (voleibol).

 Neste contexto geral, evidenciamos o profissional de fisioterapia com atuação na área da saúde, que desenvolve ações transformadoras nos níveis de prevenção de doenças, promoção, preservação e reabilitação da saúde do indivíduo. É uma profissão que atua em várias áreas, dentre elas à área esportiva. A fisioterapia esportiva tem o foco na prevenção e reabilitação de atletas de todas as modalidades de esportes, reconhecida como especialidade da fisioterapia em 2007 pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). Segundo definido na própria resolução, “a atuação do Fisioterapeuta Esportivo se caracteriza pelo exercício profissional desde a promoção de atenção básica direta à saúde do paciente por meio de diagnóstico cinético-funcional bem como a eleição e execução de métodos fisioterapêuticos pertinentes a este.” Dentre as principais patologias tratadas destacam-se as lesões musculares e ligamentares; processos degenerativos (artrose); tendinopatias; pós-operatórios; faturas; contusões e distensões; entorses, luxações, subluxações, entre outras.

 Muitos desafios orbitam a fisioterapia desportiva, a pressão no profissional que está promovendo a recuperação do atleta muitas vezes é intensa, pois diferente de um paciente amador, o atleta precisa de uma recuperação rápida, para que possa voltar reabilitado e trazendo o melhor desempenho possível, trabalhando seu desenvolvimento com qualidade. Uma das áreas mais desafiadoras na fisioterapia esportiva é a reabilitação após a ocorrência de lesão, o programa de reabilitação visa o retorno do atleta ao estado ideal anterior à lesão e a elaboração de um programa de manutenção preventiva capaz de minimizar a possibilidade de lesão recidiva. Vale destacar que a fisioterapia desportiva não se preocupa exclusivamente a recuperação do atleta após uma lesão, também atuando com as medidas preventivas a fim de reduzir a ocorrência utilizando diversas técnicas e equipamentos.

 Dentre estas técnicas e equipamentos fisioterapêuticos utilizados, podemos citar a eletrotermofototerapia e crioterapia (gelo) para controle de inflamação, a estimulação cicatricial (através do uso do ultrassom, corrente russa e o laser.) analgesia geral (TENS – Estimulação elétrica nervosa transcutânea). A utilização da cinesioterapia – tratamento pelo movimento - para relaxamentos, alongamentos e fortalecimentos, RPG – reeducação postural global e treino funcional, através de exercícios pliométricos, resistidos, de cadeia aberta ou fechada. Utiliza-se exercícios de melhora da propriocepção e ganho de equilíbrio (por exemplo em balancim ou bola suíça). Outra técnica muito utilizada na fisioterapia desportiva dos últimos anos é a aplicação de bandagens elásticas (bandagem funcional) – você já deve ter observado os atletas com “fitas” por todo o corpo. A estratégia da bandagem por atuar em duas frentes: prevenção e/ou estabilização, oferecendo um suporte externo para tecidos moles e articulações, também podendo ser aplicada para o relaxamento de determinado grupo muscular.

 Concluímos que a fisioterapia esportiva vem proporcionando aos atletas conforto e segurança em relação a prática esportiva (seja amadora ou profissional), trazendo qualidade de vida e confiança na recuperação plena do atleta. Além que a o fisioterapeuta atua na maximização do rendimento do atleta com um treinamento seguro para que lesões não inviabilize o andamento dos treinos ou competições e ainda represente perda nas conquistas esportivas. Concluímos que o fisioterapeuta é imprescindível desde antes da lesão, até o momento de atender sobre uma lesão instaurada e o período pós-lesão para o retorno a atividade de forma normal. Após o fim das olimpíadas de Tokyo 2020 não vamos aguardar um próximo megaevento esportivo para deixar o fisioterapeuta desportivo brilhar e entrar em evidência, precisamos todo dia saber de sua importância e atuação, seja com os atletas profissionais ou amadores.

Iago Vinicios Geller, Graduado em Fisioterapia pelo Centro Universitário Vale do Iguaçu – UNIGUACU, também possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR. Tem pós-graduação a nível de especialização em didática e docência do ensino superior – UNIGUACU. É mestre em biodiversidade pela Universidade Estadual de Londrina – UEL, e atualmente é doutorando pela mesma universidade e atuação na mesma linha de pesquisa. Prof. Iago tem enorme conhecimento na área cientifica com diversas publicações com alto fator de impacto.

Prof. Iago é o fisioterapeuta responsável pelo estágio em ortopedia e traumatologia da Clínica de Fisioterapia da UNIGUACU. Leciona as disciplinas de Bioquímica, Cinesioterapia e Fisioterapia Esportiva na instituição.


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