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OPERAÇÃO PÃO E CIRCO

Empresário do setor de shows é preso preventivamente

Investigação apura suposto esquema de direcionamento de licitações para contratação de shows em prefeituras catarinenses.

Publicado em 07/07/2026 às 09:15
Atualizado em

(Foto: Clemir Spinelli é dono da Spinelli Produções (Foto: Redes sociais, Reprodução))

Empresário do setor de shows e eventos, Clemir Spinelli, foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira (7). Ele é um dos alvos da Operação Pão e Circo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em conjunto com a Polícia Civil, por meio da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Canoinhas. Ao todo, a operação cumpriu 50 mandados.

De acordo com o Ministério Público, a investigação apura a suposta atuação de empresários do setor de eventos e agentes públicos em um esquema de direcionamento de licitações para a contratação de shows nacionais por prefeituras catarinenses. Conforme a apuração, os fatos investigados teriam ocorrido entre 2017 e 2025. Spinelli organizou as edições da Fesmate realizadas durante a gestão do ex-prefeito Beto Passos, mas não atuou na organização da festa durante a administração da prefeita Juliana Maciel Hoppe (PL). A reportagem não conseguiu contato com a defesa do empresário.

Segundo o MPSC, há pelo menos nove prefeitos e ex-prefeitos entre os investigados. Treze prefeituras, entre elas Canoinhas, Três Barras, Mafra, Itaiópolis e São Bento do Sul, são alvo das investigações. Também foram cumpridos mandados em Porto Alegre (RS) e nos municípios catarinenses de Abdon Batista, Apiúna, Aurora, Bombinhas, Brusque, Governador Celso Ramos, Indaial, Itapema, Laurentino, Palhoça, Porto Belo, Pouso Redondo e Santa Terezinha.

Ainda conforme o Ministério Público, o grupo investigado teria, em tese, combinado previamente a contratação de determinados artistas antes da realização das licitações. A hipótese apurada é de que empresários reservavam as datas dos shows e, posteriormente, os editais eram estruturados para atender às condições previamente estabelecidas, restringindo a concorrência.

Durante o cumprimento dos mandados, a força-tarefa informou ter apreendido R$ 70 mil em dinheiro na residência de um dos investigados. O Ministério Público não informou, até o momento, a identidade dessa pessoa.

Em Canoinhas, empresário preso recebeu quase R$ 100 mil para fornecer carrossel

Dentre vários outros contratos na região, a Spinelli Produções e Eventos Ltda, do empresário do setor de shows e eventos, Clemir Spinelli, foi contratada em novembro de 2024, pela Prefeitura de Canoinhas, para disponibilizar um carrossel na praça Lauro Müller durante as festividades do Natal em Família.


O valor máximo previsto no pregão publicado em novembro de 2024, pela Prefeitura de Canoinhas, era de R$ 110 mil. O objeto era um carrossel italiano com medidas de 8×8, sendo 16 cavalos e uma carroça capacidade de 18 pessoas, com torre em cima. A Spinelli Produções e Eventos Ltda foi contratada para locação, montagem, manutenção, operação, desmontagem e retirada do carrossel, que foi utilizado no evento Natal em Família de 2024, durante 10 dias, pelo valor de R$ 99 mil.

Contraponto

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Canoinhas encaminhou nota, fazendo questão de evidenciar que o poder público municipal não contratou shows e eventos com empresas investigadas pelo Gaeco nos últimos cinco anos. Leia abaixo a nota na íntegra:

“Canoinhas não contratou shows e eventos com empresas investigadas pelo Gaeco nos últimos cinco anos

A Prefeitura de Canoinhas informa que recebeu, na manhã desta terça-feira, 7, equipes do Gaeco, em razão da Operação “Pão e Circo”, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados à apuração de contratações de shows e eventos.

A prefeita Zenilda Lemos e a ex-prefeita Juliana Maciel não são citadas na operação.

As contratações de shows destas empresas, em Canoinhas, ocorreram entre 2017 e 2021.

Toda a documentação está sendo fornecida pelo Município que segue colaborando com as investigações.”

"Pão e Circo"

A operação recebeu o nome em referência à política adotada pelos imperadores romanos, que buscavam controlar a plebe por meio da distribuição de trigo (o pão) e da oferta de espetáculos públicos (o circo).

Dessa forma, desviavam a atenção dos problemas sociais e políticos, enquanto a nobreza desfrutava dos privilégios, riquezas e do poder, perpetuando a desigualdade. 

Os materiais apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, que realizará exames periciais. Após a análise inicial, as evidências serão analisadas pelas equipes de investigação para dar continuidade ao desmantelamento da rede criminosa.

Fonte: JMais Canoinhas e CNN Nacional

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