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REGIÃO

Polícia investiga nova dinâmica de acidente que matou gerente em Papanduva

Imagens da cabine do ônibus devem ajudar a esclarecer os segundos anteriores à movimentação do veículo.

Publicado em 07/08/2026 às 14:05
Atualizado em

(Foto: Corpo de Bombeiros e Redes Sociais)

A Polícia Civil de Papanduva avançou nas investigações sobre o acidente que matou a gerente do Restaurante Matinhos, Mariane Hilko, de 33 anos, na noite desta quarta-feira, 5, às margens da BR-116. Segundo o delegado Eduardo Borges, que esteve no local nesta quinta-feira, 6, a dinâmica do acidente é diferente da versão preliminar de que a colisão teria ocorrido enquanto a gerente tentava cobrar uma conta de passageiros que deixavam o estabelecimento.

De acordo com o delegado, o ônibus Mercedes-Benz/Busscar estava estacionado em frente ao restaurante quando ocorreu uma discussão envolvendo dois passageiros cubanos e funcionários do estabelecimento. Conforme os relatos reunidos pela investigação até o momento, o desentendimento teria ocorrido porque os passageiros pretendiam pagar a despesa em dólares.

DISCUSSÃO

Conforme Borges, a discussão se prolongou por algum tempo e ocorreu enquanto o ônibus permanecia estacionado. No momento em que o veículo se preparava para deixar o local, Mariane estava posicionada à frente do coletivo.

Segundo o delegado, o ônibus não estava chegando ao restaurante no momento do acidente, como poderia indicar a versão inicial, mas já estava parado no local e iniciou uma manobra para sair.

A principal hipótese trabalhada pela investigação, até o momento, é de que o motorista possa ter se confundido ao selecionar a marcha. Segundo Borges, a intenção seria realizar uma manobra em marcha à ré, mas o ônibus teria avançado para frente.

Ainda de acordo com o delegado, o veículo passou por cima de uma das proteções existentes no local, atingiu Mariane, arrancou uma pequena parede de proteção, bateu contra uma coluna e avançou para o interior do restaurante. A vítima ficou prensada entre o veículo e a estrutura de proteção e morreu no local.

O impacto provocou danos significativos na estrutura do estabelecimento. O delegado destacou ainda que, por pouco, o acidente não provocou outras vítimas. Segundo ele, não havia pessoas ocupando as primeiras poltronas da parte superior do ônibus. Caso houvesse passageiros naquele espaço, eles poderiam ter sido atingidos pela estrutura que avançou com a colisão.

PERÍCIA

Durante as diligências realizadas nesta quinta-feira, a Polícia Civil conversou com o engenheiro civil responsável pela obra do Restaurante Matinhos, que está em reforma. Também foram analisados elementos relacionados à posição em que o ônibus parou e à aceleração do veículo.

A investigação também conseguiu localizar testemunhas e ouviu motoristas que conduzem ônibus semelhantes. A medida teve como objetivo auxiliar na compreensão da dirigibilidade do veículo e das possibilidades envolvendo a manobra realizada pelo motorista.

Apesar dos levantamentos, o delegado ressalta que a Polícia Civil ainda não possui uma conclusão definitiva sobre o que provocou o avanço do ônibus.

IMAGENS

Um dos elementos que pode ser decisivo para esclarecer a dinâmica do acidente são as imagens registradas dentro da cabine do ônibus. Segundo Borges, a empresa responsável pelo coletivo se comprometeu a fornecer as gravações à Polícia Civil.

O material deverá permitir aos investigadores verificar o que ocorreu nos instantes anteriores à movimentação do veículo e ajudar a identificar o procedimento adotado pelo motorista. As imagens serão analisadas juntamente com os demais elementos já reunidos na investigação.

A princípio, segundo o delegado, o motorista não teria participado da discussão entre a gerente e os passageiros estrangeiros. Borges afirmou que o grupo permaneceu por um período prolongado no restaurante e que os ânimos estavam exaltados.

“Eles ficaram muito tempo parados no restaurante, o motorista estava nervoso. Estavam todos com os ânimos exaltados. Isso pode ter contribuído”, disse o delegado.

A declaração, no entanto, representa uma avaliação do delegado sobre uma possível circunstância relacionada ao acidente e não uma conclusão da investigação sobre a causa da ocorrência.

TRAGÉDIA

Mariane Hilko foi atingida pelo ônibus e ficou prensada contra uma mureta de proteção na área externa do restaurante. O impacto ainda provocou danos em uma parede e em uma coluna da estrutura.

Quando os bombeiros chegaram ao local, encontraram a vítima na parte inferior do ônibus, próxima aos destroços. Ela apresentava múltiplas lesões traumáticas e não apresentava sinais vitais. O óbito foi constatado ainda no local.

O ônibus transportava 38 passageiros, além do motorista, e fazia o trajeto entre São Paulo e Porto Alegre. O condutor, de 65 anos, ficou abalado emocionalmente e foi encaminhado ao Hospital São Sebastião para avaliação. Uma passageira de 62 anos também recebeu atendimento após relatar ferimentos no olho provocados por estilhaços de vidro.

O corpo de Mariane foi velado no salão da igreja São Pedro, no Queimados, e sepultado na tarde desta quinta-feira, 6, no Cemitério Municipal de Papanduva.


Fonte: JMais Canoinhas

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