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SAÚDE INFANTIL

Em menos de três semanas, três bebês morrem após complicações respiratórias na região

Mortes foram registradas em Canoinhas, Três Barras e Major Vieira. Autoridades reforçam vacinação e cuidados contra vírus respiratórios.

Publicado em 21/06/2026 às 08:57
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Imagem ilustrativa (Foto: Freepik/divulgação)

Pelo menos três crianças morreram de complicações ligadas ao aparelho respiratório entre 2 e 18 de junho em três das quatro cidades que compõem a comarca de Canoinhas. As mortes foram registradas em Major Vieira no dia 2 de junho e no mesmo dia, esta quinta-feira, 18, em Canoinhas e Três Barras. Em todos os casos há suspeita de bronquiolite.

O primeiro caso, em 2 de junho, chamou a atenção para o fato de o bebê ter sido um dos 11 que há quase um ano receberam, por engano, soro antiofídico no lugar da vacina contra a hepatite B. José Alfredo de Campos, de 10 meses, enfrentava problemas de saúde recorrentes desde o nascimento, o que para os pais podem estar associados ao soro. Leila Bueno relatou ao JMais que, ao longo dos meses, procurou diversas vezes atendimento médico para o filho e chegou a pedir exames mais aprofundados, mas que os profissionais avaliavam os sintomas como quadros gripais comuns.

Nos dez meses de vida de João Alfredo, o posto de saúde de Major Vieira passou a ofertar atendimento em pediatria somente nos últimos meses. Leila conta que levou o filho duas vezes para consultar com a pediatra. Na segunda vez, depois de os sintomas da suposta gripe persistirem é que a médica disse a mãe para marcar uma terceira consulta na qual então seria solicitada uma bateria completa de exames para ver o que poderia estar por trás de tantas gripes consecutivas. O quadro do menino se agravou no dia 31 de maio e ele foi internado no Hospital São Lucas de Major Vieira no dia 1º de junho. Com dificuldade respiratória ele foi transferido para o Hospital Materno Infantil de Joinville no dia 2. Ao dar entrada no hospital de Joinville ele já estava praticamente morto, segundo os médicos, que ainda tentaram uma reanimação.


José Alfredo tinha 10 meses de vida / Arquivo da família

Procurado à época, o Hospital Santa Cruz afirmou que a criança morreu em decorrência de uma bronquiolite, mas tanto o hospital de Major Vieira quanto o de Joinville não confirmam o diagnóstico. Uma perícia foi feita no corpo, mas até o momento o resultado não saiu.

DUAS MORTES NO MESMO DIA

Nesta quinta-feira, 18, dois bebês morreram em decorrência de problemas respiratórios. Em Três Barras, Heitor Astrisi Cordeiro, de dois meses, deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Félix da Costa Gomes na segunda-feira, 15. No dia seguinte ele foi transferido para Mafra, onde acabou falecendo nesta quinta-feira, 18. A reportagem apurou junto a amigos da família que o bebê teve uma pneumonia, decorrente de bronquiolite. Seu sepultamento ocorreu às 11 horas desta sexta-feira, 19, no Cemitério Municipal de Três Barras.

Já em Canoinhas, a Secretaria de Saúde do Município confirmou que Valentina Nathieli Ferreira, de seis meses, morreu em decorrência de bronquiolite. O corpo da menina foi sepultado às 17 horas no Cemitério Municipal de Canoinhas.

Segundo amigos da família, a menina começou a passar mal na madrugada desta quinta-feira, 18. Os pais a levaram ao Pronto Atendimento de Canoinhas, onde ela ficou até a tarde, quando foi transferida para Mafra, mas acabou morrendo no caminho. A Secretaria de Educação de Canoinhas publicou uma nota de pesar, já que a menina frequentava o CEI Vinicius de Moraes, da rede pública de ensino.

ALERTA

Por ocasião da morte de José Alfredo, o Hospital Santa Cruz já havia emitido um alerta sobre a importância da vacinação para evitar a bronquiolite. “A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda que acomete principalmente crianças menores de dois anos, sendo causada, na maioria dos casos, pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A doença provoca inflamação dos bronquíolos, dificultando a passagem de ar e podendo causar insuficiência respiratória grave, especialmente em bebês prematuros ou com baixa imunidade. Notícias recentes divulgadas em 2026 registraram aumento de internações e óbitos infantis relacionados à bronquiolite em diversas regiões do país. Importante esclarecer que a bronquiolite causada pelo VSR não possui relação com a vacina contra Hepatite B nem com a administração de soro antibotrópico, utilizados para finalidades médicas completamente distintas. Também deve ser considerado que o protocolo municipal específico de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a ser adotado apenas ao final do ano de 2025, razão pela qual muitas crianças anteriormente não tiveram acesso à imunização preventiva disponível atualmente. Especialistas destacam que a gravidade da doença está associada à rápida evolução respiratória em crianças pequenas, sendo fundamentais o diagnóstico precoce, o acompanhamento médico adequado e as medidas preventivas específicas contra o VSR para redução de complicações e óbitos infantis.”

A Secretaria de Saúde de Canoinhas informou que vai fazer uma série de divulgações a partir da próxima semana alertando os pais para a importância da vacina.

Mortes de bebês por bronquiolite acendem alerta no Brasil em meio à alta de doenças respiratórias

O aumento da circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em crianças pequenas, voltou a preocupar autoridades de saúde em todo o Brasil. Dados divulgados nos últimos meses apontam crescimento das internações por doenças respiratórias graves entre bebês e crianças de até dois anos, faixa etária mais vulnerável às complicações da doença.

A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos — pequenas vias aéreas dos pulmões — e pode provocar dificuldade respiratória intensa, exigindo internação e, em casos mais graves, levando à morte. O Ministério da Saúde estima que o VSR seja responsável por até 80% dos casos da doença.

O cenário já vinha sendo observado em 2025. Levantamento divulgado neste ano mostrou que os casos e as mortes relacionadas ao VSR cresceram mais de 60% em comparação com o período anterior, evidenciando a força da circulação do vírus no país.

Em 2026, o aumento das síndromes respiratórias graves em bebês também chamou a atenção dos pesquisadores. Segundo dados epidemiológicos divulgados em maio, o Brasil registrou mais de 57 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com o VSR entre os vírus mais detectados nas análises laboratoriais.

Diante desse quadro, o governo federal ampliou as estratégias de proteção. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer a vacina contra o VSR para gestantes e iniciou a distribuição do anticorpo monoclonal nirsevimabe para prematuros e crianças com condições de risco. A expectativa é reduzir hospitalizações e óbitos entre recém-nascidos e lactentes.

Os primeiros resultados já são considerados positivos. O Ministério da Saúde informou que o número de internações e mortes de bebês nos primeiros meses de vida apresentou redução superior a 50% após o início da vacinação de gestantes, que já alcançou mais de um milhão de mulheres em todo o país.

Especialistas reforçam que a principal forma de prevenção continua sendo a vacinação das gestantes, além de medidas como evitar contato de bebês com pessoas gripadas, higienizar as mãos frequentemente e manter os ambientes ventilados durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.

Fonte: JMais Canoinhas

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