Evento climático
Entenda por que tornados são mais comuns no Sul do Brasil
Região funciona como corredor atmosférico onde contraste térmico e mudanças de velocidade e direção dos ventos intensificam tempestades.
Publicado em
13/01/2026 às 15:22
Atualizado em
A Região Sul concentra a maior parte dos tornados registrados no Brasil devido a uma combinação específica de fatores atmosféricos e geográficos que não se repete com a mesma intensidade em outras partes do país. Estudos climatológicos e especialistas apontam que esses elementos tornam Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul mais suscetíveis ao desenvolvimento de tornados do que o restante do território nacional.
Confluência de massas de ar e fenômenos atmosféricos

Segundo meteorologistas, a principal razão que torna o Sul um “corredor” de tornados é a interação entre diferentes massas de ar. A umidade transportada da região amazônica, conhecida como “rio atmosférico”, encontra massas de ar frio que avançam do sul da América do Sul, especialmente vindas da Argentina. O encontro dessas correntes cria forte contraste térmico e um fenômeno chamado cisalhamento vertical do vento, que favorece tempestades severas com potencial de girar e gerar tornados.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também explica que essa dinâmica atmosférica é intensificada pelo fato de o Sul funcionar como um corredor aberto entre a Amazônia e a massa polar, sem grandes barreiras naturais que bloqueiem o avanço das diferentes correntes, condição que amplifica a instabilidade e a rotação do ar necessária para tornados.
Dados de ocorrência reforçam a concentração no Sul
Segundo estudo promovido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), cerca de 70% dos tornados registrados no Brasil ocorreram na Região Sul entre 1975 e 2018, um indicador de que as condições meteorológicas da região favorecem a formação desses fenômenos. “A maior ocorrência climática de tornados no Sul está associada às massas de ar frio que incidem primeiro sobre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da influência de massas quentes”, afirmam os pesquisadores que conduzem o levantamento.
Relevo e estações do ano também influenciam
Especialistas destacam ainda que aspectos geográficos, como as planícies e áreas abertas próximas à Serra Geral, facilitam a formação de correntes de ar ascendentes, que reforçam tempestades severas durante períodos de instabilidade. Esse efeito é mais forte na primavera e no verão, quando o aquecimento da superfície intensifica a diferença entre ar quente e frio.
Contexto global e alertas locais
Embora o Brasil não esteja entre os países com os maiores índices de tornados do mundo, posição ocupada por nações como os Estados Unidos , a combinação de fatores climáticos e geográficos no Sul o coloca entre os pontos mais propensos da América do Sul para esse tipo de fenômeno, atrás apenas de grandes corredores de tornados globais.
Defensores do clima e meteorologistas apontam que, diante dessa propensão, estratégias de vigilância meteorológica e alertas antecipados continuam essenciais para minimizar riscos e preparar comunidades nas áreas mais vulneráveis do Sul.
Fonte: Portal da Cidade União da Vitória
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