Canoinhas
Criança de dois anos morre; família busca esclarecimentos
Criança faleceu em Canoinhas após piora súbita, e a família busca respostas sobre o que motivou o quadro. UPA emitiu nota.
Publicado em
25/11/2025 às 22:31
Atualizado em
A morte do pequeno Gabriel, de 2 anos, na madrugada desta terça-feira (25), após atendimento na UPA de Canoinhas, comoveu a comunidade e levantou uma série de questionamentos da família sobre a evolução do quadro clínico da criança. Os pais relataram ao Portal da Cidade de Canoinhas toda a linha do tempo, desde o início dos sintomas em Bombinhas até o momento em que receberam a notícia do óbito.
SÁBADO
O menino apresentou os primeiros sinais no sábado, durante uma viagem a Bombinhas. Segundo o pai, Gabriel era uma criança extremamente ativa, brincalhona e cheia de energia. Quando surgiu uma febre de 38 graus, os pais o levaram imediatamente para a UPA de Bombinhas. A médica avaliou o quadro e sugeriu que poderia ser uma infecção comum na praia ou início de gripe, receitando medicamento para tal. O menino recebeu medicação e retornou para o local onde a família estava hospedada.
DOMINGO
Durante o domingo, Gabriel alternou momentos de cochilo e irritação. Os pais perceberam que ele não tinha um sono profundo e demonstrava incômodo constante, pedindo água, sorvete, colo e mudando de posição a todo momento. Embora abatido, Gabriel continuava conversando, pedindo coisas e reagindo normalmente.
SEGUNDA-FEIRA
Na segunda-feira, ao voltarem à Canoinhas, por volta das 22h, os pais o levaram direto para a UPA. O médico avaliou a criança e também a mãe, que apresentava dor de garganta. O pai relatou ao médico que Gabriel começava a demonstrar respiração mais cansada e dificuldade de mexer o pescoço durante a consulta. O médico então pediu para coletar exames e realizar um raio-x. Segundo ele, o aparelho de raio-x da UPA estava inoperante e informou que, caso fosse necessário, o exame só poderia ser feito em Três Barras até meia-noite ou apenas no dia seguinte.
AÇÃO RÁPIDA
Como não daria tempo de chegar em Três Barras e não querendo deixar para o outro dia, o pai de Gabriel, por trabalhar no Hospital Santa Cruz, conseguiu autorização para que o raio-x fosse realizado no hospital particular e pago de forma particular. O exame, feito aproximadamente à meia-noite, quase duas horas após a entrada na UPA, apontou que o abdômen de Gabriel estava distendido e que havia uma pequena consolidação no pulmão. A ausculta pulmonar, porém, estava limpa.
COM O RAIO-X EM MÃOS
Com o raio-x em mãos e de volta à UPA, a equipe reconheceu a necessidade de envolver a pediatria e solicitar uma vaga para internação. Após contato telefônico, a pediatra aceitou a admissão do Gabriel e orientou a internação no Hospital Santa Cruz, em Canoinhas. Porém, ao avaliar Gabriel pessoalmente, sugeriu a transferência para Joinville para avaliação de um cirurgião pediátrico, devido à distensão da alça abdominal.
PREPARAÇÃO PARA A TRANSFERÊNCIA
A médica tentou iniciar a preparação para transferência, incluindo a obtenção de um acesso mais adequado para medicação durante o deslocamento. Segundo o relato dos pais, Gabriel começou a demonstrar sinais crescentes de fraqueza durante as tentativas de obtenção de acesso, o que aumentou a preocupação da família ao perceber que não havia evolução no quadro clínico e que as soluções demoravam a aparecer.
JÁ NA SALA DE EMERGÊNCIA
A equipe levou Gabriel para a sala de emergência, relatando que o ambiente era mais quente e adequado para conseguir o acesso venoso. Com a chegada da equipe do SAMU, as tentativas continuaram.
O pai relatou que, já dentro da sala de emergência, percebeu mudanças no comportamento e na resposta do menino, que recebeu oxigênio após apresentar respiração mais ofegante do que antes. A partir daquele momento, Gabriel não falou mais. Em determinado instante, ambos os pais foram orientados a sair da sala. Pouco tempo depois, iniciou-se o procedimento de reanimação.
ÓBITO
A família acompanhou o trabalho da equipe e informou que as manobras foram realizadas por cerca de 40 minutos, até que o óbito foi confirmado às 4h20 da madrugada.
DÚVIDAS
Abalados, os pais afirmam que ainda buscam compreender o que aconteceu e aguardam respostas formais sobre o atendimento. Eles reforçam que Gabriel chegou conversando, consciente e interagindo, brincou com médicos e funcionários, pediu água, colo e para dormir, e que a piora rápida surpreendeu toda a família.
HIPÓTESES
Ainda não há conclusão oficial sobre o que provocou a rápida piora do menino, e várias hipóteses precisam ser investigadas pelas autoridades. Entre elas, a possibilidade de uma condição pré-existente que não havia sido diagnosticada, um processo infeccioso agressivo que poderia ter evoluído de forma inesperada ou até mesmo a dificuldade em identificar, a tempo, o verdadeiro quadro clínico diante dos sintomas apresentados. Permanece também a dúvida sobre se um atendimento especializado mais rápido, como o encaminhamento imediato ao cirurgião pediátrico indicado, teria alterado o desfecho. Todas essas questões agora dependem de avaliação técnica, laudos e investigações formais para que a família e a comunidade possam ter respostas claras.
NOTA DO INSTITUTO IDEAS, QUE FAZ A GESTÃO DA UPA, ENVIADA AO PORTAL DA CIDADE DE CANOINHAS , NA ÍNTEGRA:
"O Instituto IDEAS vem a público prestar esclarecimentos sobre o atendimento à criança G.N., ocorrido na UPA Orestes Golanovski, em Canoinhas, na noite de 24 para 25 de novembro.
Desde sua chegada, às 23h06, a criança foi assistida por equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e, posteriormente, pela equipe do SAMU e pela pediatra do Hospital Santa Cruz (HSCC), acionada e envolvida no caso desde os primeiros minutos. O prontuário confirma que todas as medidas clínicas necessárias foram adotadas, sem omissões ou atrasos.
A criança deu entrada já em estado grave, com quadro de três dias de febre, prostração, vômitos intensos, desidratação e dor abdominal, evolução que se iniciou dias antes da procura pela UPA Canoinhas. Após avaliação clínica inicial, foram realizadas medidas imediatas de estabilização, incluindo hidratação venosa, medicação, analgesia, suporte respiratório e monitorização contínua.
Contrariando informações que vêm sendo divulgadas, o prontuário registra que foi realizado exame de raio-X, que evidenciou padrão obstrutivo intestinal, indicando gravidade e necessidade de transferência para unidade hospitalar terciária. A coleta de exames laboratoriais foi tentada repetidas vezes, mas não obteve sucesso devido à condição clínica, especialmente à desidratação e ao colabamento venoso — situação esperada em quadros graves.
Com o agravamento progressivo, foi solicitada vaga zero via SAMU, e a transferência para o Hospital Jeser Amarante Faria, em Joinville, foi formalizada. Durante o período de espera, a equipe seguiu em atendimento contínuo, com suporte avançado, procedimentos de emergência, tentativas de novos acessos venosos, antibióticos de amplo espectro e demais medidas compatíveis com protocolos pediátricos.
Já na presença da equipe do SAMU e da pediatra, a criança apresentou piora súbita, evoluindo para parada cardiorrespiratória. Foram realizados 46 minutos de manobras de reanimação, com administração de medicações, intubação, reposição glicêmica e todo o arsenal terapêutico disponível, sem retorno da circulação espontânea, sendo o óbito declarado às 04h22.
O Instituto IDEAS lamenta profundamente o falecimento e se solidariza com a família neste momento de dor. Reafirmamos que todo o atendimento prestado seguiu rigorosamente os protocolos clínicos e de urgência, sendo conduzido por múltiplas equipes médicas e de enfermagem que atuaram de forma integrada e contínua, empenhando todos os esforços possíveis."
Fonte: Portal da Cidade de Canoinhas
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