SAÚDE
Família questiona demora em transferência de idosa que morreu em Irineópolis
Familiares dizem que transporte para Mafra demorou. Prefeitura contesta e diz que tomou as medidas disponíveis.
Publicado em
20/08/2026 às 11:51
Atualizado em
Uma família de Irineópolis utilizou as redes sociais para questionar o que considera falta de planejamento, estrutura e agilidade no transporte de emergência no município. A manifestação ocorreu após a morte de uma mulher de 85 anos, que foi atendida no Hospital Bom Jesus, em Irineópolis, e posteriormente transferida para o Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, na quarta-feira (12).
Segundo os familiares, a idosa, Maria de Lourdes Pavarin Lara, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a demora na transferência poderia ter contribuído para o agravamento do quadro clínico. A reportagem, no entanto, não teve acesso ao prontuário da paciente nem a documentos médicos que permitam estabelecer relação entre o tempo de transporte e a morte.
Na nota publicada nas redes sociais, os familiares relatam que Maria de Lourdes teria dado entrada no Hospital Bom Jesus às 9h40 da quarta-feira (12), com um quadro considerado grave. Segundo o relato, a ambulância para realizar a transferência ao Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, chegou por volta das 11h30.
O texto escrito por um familiar afirma que “o deslocamento só aconteceu após insistente cobrança e pressão da família diretamente à Secretaria Municipal de Saúde”.
Ainda conforme a publicação, intitulada como uma “nota de repúdio e indignação”, a justificativa apresentada à família teria sido de que “as ambulâncias apropriadas para este tipo de transferência não pertenciam ao município, estando uma estragada e a outra já em rota”.
Na manifestação, o familiar também critica a estrutura de transporte do município. “É revoltante constatar que a prefeitura mantém tantos carros pequenos na garagem, praticamente um para cada funcionário, enquanto a prefeitura sofre com a total falta de ambulâncias adequadas e disponíveis para atendimentos de emergência”, consta na nota publicada nas redes sociais.
O familiar também relata que, no momento em que a idosa deu entrada no Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, profissionais da unidade teriam apontado preocupação com o tempo transcorrido até a transferência. Segundo o relato publicado, a equipe teria considerado que “o tempo para transferi-la foi excessivo e demorado demais”.
A família foi procurada pela reportagem, mas informou que não gostaria de conceder entrevista.
Prefeitura apresenta outra versão
O prefeito de Irineópolis, Juliano Pozzi Pereira (PSDB), se manifestou sobre o caso em vídeo publicado nas redes sociais oficiais da Prefeitura, ao lado da secretária municipal de Saúde, Giseli Kempinski.
No vídeo, o prefeito afirma que a nota teria sido publicada “por causa do desconhecimento de como funcionam as coisas e acabam falando o que não sabem”. Ele também disse que “tudo o que estava ao nosso alcance foi feito, inclusive o transporte”.
Na sequência, o prefeito passa a palavra para a secretária de Saúde, pedindo que ela comente sobre a “agilidade e rapidez” com a qual teria sido providenciado o transporte para a idosa.
De acordo com a secretária, a idosa deu entrada na unidade hospitalar às 10h04 da quarta-feira (12), transportada pelo Corpo de Bombeiros. A informação diverge do horário de 9h40 informado pela família.
Segundo Giseli, a equipe do Hospital Bom Jesus avaliou a paciente e, diante da suspeita de AVC, solicitou a transferência por meio da regulação do Samu.
“A nossa equipe do hospital avaliou ela e diante do quadro de uma suspeita de AVC, foi regulado via Samu para transferência ao Hospital São Vicente de Paulo, mas o regulador em Joinville já adiantou que não teria transporte via Samu”, destacou.
A secretária afirmou que o transporte para esse tipo de transferência é de responsabilidade do Estado e que as duas ambulâncias do Samu que atendem a região estariam indisponíveis naquele momento. Ao mesmo tempo, segundo ela, diante das condições clínicas apresentadas pela paciente, o transporte poderia ser realizado com uma ambulância do município.
A ambulância municipal saiu do Hospital Bom Jesus às 11h31, segundo a secretária de Saúde, com destino ao Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra.
“Devido às condições clínicas, ela pode sim ser transportada em ambulância branca, que o município disponibilizou, mas se o quadro dela estivesse grave, a ambulância teria de ser do Samu e iria demorar, provavelmente, muito mais tempo”, destacou.
A Prefeitura também afirma que um médico acompanhou a paciente durante o deslocamento.
O prefeito seguiu afirmando que o atendimento da idosa no Hospital Bom Jesus foi ágil e disse que o transporte para Mafra não seria de responsabilidade do município.
“Fizemos a nossa parte, infelizmente ela veio a falecer, quanto a isso não podemos opinar, e quanto à questão de que cada minuto é importante em um quadro de AVC, nós sabemos, tanto é que nós usamos a ambulância do município e mandamos um médico junto, que deixou de atender pacientes do município que poderiam vir a entrar em óbito por falta de atendimento também”, finalizou o prefeito.
Até a publicação desta reportagem, não foram apresentados à reportagem documentos médicos ou informações de investigação que permitam confirmar se houve relação entre o tempo transcorrido até a transferência e a morte da paciente. As informações sobre o atendimento e o transporte são apresentadas, portanto, conforme os relatos da família e da Prefeitura.
Fonte: Portal da Cidade União da Vitória
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