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Transplante de medula óssea: Você pode mudar a história de alguém!

Um procedimento rápido e o resultado pode salvar a vida de alguém em qualquer lugar do mundo

Postado em 19/11/2021 às 16:10 |

(Foto: Arquivo da família)

"É gratificante fazer o bem sem olhar a quem”, com este relato inicia a conversa com João Jorge Santos Reali, acadêmico do último período de Educação Física da Uniguaçu, ele que recentemente fez parte de um quadro raro de pessoas, o de doador de medula óssea.

A chance de compatibilidade para este procedimento é tão rara que apenas uma pessoa em cada 100 mil é compatível.

Quando recebeu a ligação do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), dizendo que seria um provável doador de medula, João Jorge se animou e confirmou na mesma hora que faria a doação.

A partir daí foram iniciados os procedimentos para testes de confirmação de compatibilidade entre ele e o receptor. Ele viajou até Curitiba, fez exames, voltou para União da Vitória, recebeu a confirmação de compatibilidade e retornou para fazer a coleta da medula. Tudo isso aconteceu de forma rápida e sigilosa, já que por enquanto, João Jorge não pode saber quem é a pessoa que recebeu a sua medula. Dentro de um ano e meio, o doador está autorizado a saber a identidade do seu receptor. No caso de João Jorge, caso a pessoa queira e, surgir essa oportunidade, ele quer muito conhecê-la. “Será muito especial se a pessoa que recebeu a minha medula quiser me conhecer, eu tenho muito interesse”, afirma.



Ser um doador

Parece simples: cadastrar-se no banco nacional de doadores, ser compatível e doar, mas o trabalho é muito maior que isso. Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro parente próximo), a solução para o transplante é procurar alguém compatível entre indivíduos, não familiares, na população regional ou mundial, que representem os diversos grupos étnicos e sua miscigenação.

 O Redome reúne os dados dos voluntários, como nome, endereço, resultado de exames e características genéticas. Por isso, é importante que as pessoas que são doadoras, mantenham sempre os seus dados atualizados.

Paloma Fagundes, médica hematologista, responsável técnica do Banco de Sangue de União da Vitória, explica que é importante manter o cadastro atualizado no site. “A pessoa se cadastra apenas uma vez e a partir daí ela deve acessar de tempos em tempos esse cadastro para mantê-lo atualizado. Algumas vezes acontece de existir uma compatibilidade e a pessoa não ser encontrada para fazer a doação”, afirma Paloma.

Segundo informações do Redome o transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. Além disso, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 25% das famílias brasileiras – para 75% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores voluntários, bancos públicos de sangue de cordão umbilical ou familiares parcialmente compatíveis. O voluntário pode ser chamado para efetuar a doação com até 60 anos de idade.

Neste caso, João Jorge fez o cadastro em 16 de junho deste ano e a coleta aconteceu no dia 3 de novembro. O processo foi rápido e o resultado pode ter salvado a vida de alguém em qualquer lugar do mundo.

Em União da Vitória o cadastro é feito no Banco de Sangue, que fica na Rua Castro Alves, 2, na área central, mas deve ser agendado pelo telefone (42) 35221365.




O procedimento

O procedimento é indicado para pacientes com doenças do sangue como leucemia, linfomas e alguns tipos de anemia. No Brasil, estima-se que as chances de compatibilidade sejam de 1 para 100 mil, por isso o cadastramento em um banco de doadores é tão importante.

A boa evolução durante o transplante depende de vários fatores: o estágio da doença (diagnóstico precoce), o seu estado geral, as boas condições nutricionais e clínicas, além, é claro, do doador ideal.

Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova “memória” e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns dos seus órgãos como estranhos. Esta complicação, chamada de doença do enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados. No transplante de medula, a rejeição é relativamente rara, mas pode acontecer. Por isso, existe a preocupação com a seleção do doador adequado e o preparo do paciente.

“Para alguns pacientes o transplante de medula é a chance de ficar curado, é a única oportunidade de continuar vivendo”, confirma Paloma.


O Receptor

O pequeno Bryan Aleksander Fudal Silva, de cinco anos de idade, é um exemplo de que deu certo. Ele e a família são naturais da região de União da Vitória, mas hoje moram em São Jose dos Pinhais, cidade metropolitana de Curitiba (PR), o que facilita no tratamento de recuperação. Ele recebeu as células troncos de medula óssea em janeiro deste ano, pois era portador de uma doença rara Granulomatosa crônica. Essa é uma doença hereditária, caracterizada por uma incapacidade das células fagocitárias em produzir peróxido de hidrogênio e outros oxidantes necessários para eliminar certos microrganismos. A necessidade de um transplante nesses casos é inevitável.

“Por volta do dia 10 de janeiro de 2021 a doutora me ligou e pediu para que fossemos ao hospital (eu e meu marido), para uma conversa, e veio a notícia de que um doador 98% compatível tinha sido encontrado e que o transplante do Bryan estaria marcado para o final do mês”, explica a mãe do menino, Eliane Maria Fudal.

Desde os primeiros meses de vida Bryan apresentava infecções constantes e “no mês de junho de 2020 ele teve linfonodos aumentados na região do pescoço, internou no Hospital Pequeno Príncipe, e conforme diagnóstico preliminar o médico disse que ele tinha alguma doença relacionada a imunidade”, diz a mãe. Desde então a vida da família mudou e uma bateria de exames foram feitos até chegar no diagnóstico preciso. “Foi um choque, porque nunca tínhamos ouvido falar de uma doença que acomete a imunidade, acho que foi um dos dias mais tristes e desesperadores da minha vida’, desabafa. Dias depois ele entrou para a fila de transplante de medula, pois pelo histórico das doenças que teve, se ele tivesse alguma infecção mais grave não chegaria a idade adulta.

A família não teve dúvidas e se uniu a amigos e conhecidos começando a grande tarefa de divulgar a história do Bryan em busca de doadores e, com isso, a campanha ganhou força fazendo com que muitas pessoas entrassem para o cadastro nacional. Assim elas ajudaram não só o Bryan, mas muitas outras pessoas que também aguardam uma chance de viver.  


Pós transplante

Hoje o Bryan está bem, não teve febre depois do transplante e a família se adaptou novamente devido a pandemia, pois ele não pode ter contato com a Covid-19, pois a fase ainda é de recuperação. Por isso, a família está isolada e possui cuidados extremos com ele, com a casa, com tudo. “Depois do transplante tudo se intensificou mais, os cuidados são redobrados, não recebemos visita, não fazemos nada além de ir ao hospital e voltar para casa, mas estamos muito felizes que hoje ele tem a chance de ter uma vida melhor”, comemora a mãe.

A família ainda não pode conhecer o doador, mas assim que tiver a oportunidade querem fazer esse gesto para agradecer. “Somos eternamente gratos pelo doador ter nos dado essa chance com o Bryan”, desabafa.

Assim como João Jorge salvou a vida de alguém e como o Bryan foi salvo por um doador, outras pessoas podem ter essa oportunidade.




Como ser um doador

Hoje para se tornar um doador de medula óssea é necessário:

– Ter entre 18 e 35 anos de idade.

– Estar em bom estado geral de saúde.

– Não ter doença infecciosa ou incapacitante.

– Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.

– Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

Todas as informações estão no site do www.redome.inca.gov.br


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