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Funicular e revitalização ganham força no Complexo Morro da Cruz

Com bondinho, novas trilhas e tirolesa, Porto União aposta no turismo como motor econômico e prepara estrutura moderna no Morro da Cruz.

Publicado em 14/11/2025 às 11:26
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Morro da Cruz recebe intervenções estruturais e ambientais para implantação do bondinho, um dos principais projetos turísticos da região. (Foto: Franciele Moraes Da Luz / Portal da Cidade)

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O Complexo Turístico Morro da Cruz é um dos principais atrativos de Porto União. Segundo a Secretaria de Turismo local, ele engloba o Parque Monge João Maria, grutas, a tradicional Via Sacra e um mirante que oferece vistas panorâmicas de Porto União e de União da Vitória.

É uma área com forte apelo histórico, cultural e ambiental, contando com trilhas e espaço para contemplação.

Em 2023, a Prefeitura de Porto União declarou o morro como área de “interesse social” para fins de turismo, visitação, lazer e manutenção. Em 2025, essa declaração foi revisada para “utilidade pública”, ampliando o escopo para dar suporte às obras do complexo.  A obra é estimada em mais de R$ 3 milhões


A obra do bondinho: por que e como surgiu

Segundo o secretário de cultura e turismo de Porto União, Marcelo Storck, a ideia de construir o bondinho no Morro da Cruz não é pontual , faz parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento turístico que a gestão atual deu continuidade. Ele explica que já havia sido iniciado um processo de comissionamento (fase de testes) para a tirolesa anteriormente prevista no local. “De janeiro até o final de março, os testes técnicos do cabo, do suporte dessa tirolesa foram realizados”, afirma o secretário.

No entanto, Storck conta que a alternativa de licitar apenas a tirolesa se mostrou juridicamente inviável. A gestão avaliou que a concessão só da tirolesa atrairia poucas empresas interessadas, justamente porque a arrecadação apenas desse equipamento seria limitada e, ao mesmo tempo, a empresa vencedora teria de assumir a responsabilidade por toda a manutenção do complexo com as trilhas, infraestrutura, mirante, banheiros, entre outros.

Diante desse cenário, a prefeitura optou por retomar o projeto original, que inclui funicular (“bondinho”), tirolesa, estações, mirante e outras estruturas. Segundo Storck, as licenças ambientais já foram obtidas, e um esforço conjunto entre a Secretaria de Turismo e o prefeito Juliano Hassan levou ao restabelecimento do diálogo com o Instituto do Meio Ambiente (IMA) no primeiro semestre de 2025 para destravar as liberações necessárias.


Desafios enfrentados e soluções

Marcelo relata que alguns imprevistos atrasaram o cronograma: foram identificadas paleotocas (cavernas antigas) no Morro da Cruz, o que gerou uma demanda arqueológica e documental junto ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Ele afirma que a empresa responsável pelo projeto realizou uma “varredura técnica” nas cavernas, enquanto o IPHAN entrou em greve por 60 dias, o que freou os trâmites.

Além disso, revelou-se que parte da área do complexo é de propriedade privada. “Nós temos que ajustar essa situação de forma amigável com os proprietários, porque vamos precisar de mais área”, disse, acrescentando que a prefeitura lidera as negociações com seriedade e transparência lideradas pelo prefeito Hassan. Se tudo correr conforme o esperado, esse ponto será resolvido antes da inauguração plena.

Apesar dos desafios, o secretário garante que a obra segue em curso. No momento da entrevista, já era visível a construção da estação de partida do funicular, localizada na Rua Sete de Setembro.



Como será o bondinho: trajetos, estrutura e funcionamento

De acordo com Storck, trata-se de um funicular, um tipo de “bonde” sobre trilho capaz de vencer inclinações elevadas. Ele destaca que o funicular de Porto União será o terceiro desse tipo no Brasil, o que reforça a ousadia do projeto.

O sistema deverá funcionar da seguinte forma:

  1. Estação inicial: construída na base do morro, na Rua Sete de Setembro.
  2. Primeiro trecho: subida até um prédio denominado Centro de Difusão Ambiental (CDA), que funcionará como estação de distribuição.
  3. Desvio das paleotocas: ao chegar ao CDA, a linha do bondinho faz uma curva para evitar as cavernas arqueológicas, ele segue em diagonal até uma segunda estação.
  4. Trecho final: um segundo bondinho leva os visitantes até o topo do Morro da Cruz, onde estará a estação final.

No topo, os visitantes poderão desfrutar de mirantes, trilhas (como a trilha do antigo mirante) e conectar-se à tirolesa ( com 840 metros de cabos, considerada a terceira mais rápida do país) para descer, ou retornar de bondinho ao ponto inicial. As trilhas existentes serão mantidas e beneficiadas pela revitalização. As caminhadas serão preservadas e aprimoradas.

Sobre a capacidade, cada bondinho terá espaço para 12 pessoas, com espaço para pessoas com deficiência e mais capacidade para acoplar quatro bicicletas.



Preço, modelo de operação e financiamento

Quanto ao valor para os visitantes, Storck informa que o estudo econômico original do projeto estimava um tíquete médio de R$ 50,00. No entanto, ele destaca que esse estudo deve passar por atualização. “O Brasil evoluiu muito rápido na questão de reajustes financeiros, esse caderno econômico do projeto vai ter que ser refeito”.

Ele também esclarece que a cobrança será feita à parte para cada atração: tirolesa e bondinho são produtos distintos, com preços diferentes.

A licitação para definir a empresa que operará o complexo (funicular, tirolesa, mirante, trilhas e demais atrativos) ainda está pendente, justamente porque o novo estudo econômico precisa servir de base para definir a contrapartida da empresa vencedora.

Potenciais impactos para Porto União e a região

Para Storck, os benefícios são duplos: culturais e econômicos.

  • Turismo cultural: sendo ele próprio alguém com forte ligação com a cultura, o secretário destaca que o Morro da Cruz é não apenas um ponto turístico, mas um símbolo da história local, das grutas do Monge João Maria à via sacra e às vistas panorâmicas da cidade.
  • Desenvolvimento econômico: ele aposta que o turismo será, a curto prazo, uma das formas mais eficazes de gerar emprego, renda e fortalecer as famílias da região. “Não existe outro caminho melhor para Porto União a curto prazo que o desenvolvimento turístico”, afirma.

Storck reforça que o turismo é uma via de mão dupla: beneficia tanto os visitantes quanto os moradores. Ele prevê que, em quatro anos, Porto União possa se tornar “o centro regional turístico do Planalto Norte e Sul do Paraná”.

A incorporação de Porto União à Rota de Encantos do Planalto Norte reforça o posicionamento regional como um circuito integrado de experiências culturais, históricas e naturais. Com a entrada do município, o roteiro ganha ainda mais riqueza ao conectar a identidade ferroviária, arquitetônica e multiétnica das cidades irmãs, ampliando as possibilidades de visitação e fortalecendo o turismo de memória.

Ele também destaca a importância da participação comunitária. “Quando uma pessoa vem para cá, é importante que a gente saiba contar a história do nosso município… conte para seus filhos”, sugere.

Além disso, a cidade tem investido em parcerias com instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), promovendo cursos gratuitos para residentes, para capacitar donos de pousadas, restaurantes, artesãos e guias turísticos, criando uma base de atendimento local para o público que deve vir com a inauguração do bondinho.



Recado final do secretário

Marcelo deixa uma mensagem de confiança e envolvimento comunitário: pede que a população acredite no potencial de Porto União e União da Vitória como destino turístico, e que cada morador desempenhe um papel na construção dessa identidade. Ele reforça que o turismo é uma oportunidade para todos: não apenas para empresários, mas para famílias, artesãos e pequenos empreendedores.

“Quando falar em turismo, vá junto, participe, estimule… porque é a salvação da lavoura da nossa região”, afirma. Para ele, o bondinho e todo o complexo do Morro da Cruz são peças centrais de uma estratégia transformadora.

Confira abaixo o vídeo com o projeto arquitetônico do Morro da Cruz: 


Fonte: Portal da Cidade União da Vitória

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