DEFESA ANIMAL
Longe de casa, cães e gatos afetados pela cheia ganham abrigo em Porto União
Rita de Cássia deixou a casa no Santa Rosa e visitou a gata no abrigo, que já acolhe animais de famílias em áreas de risco e receberá novos pets.
Publicado em
18/09/2026 às 18:38
Atualizado em
Um abrigo municipal temporário está sendo estruturado no interior de Porto União para receber animais de famílias afetadas pela cheia do Rio Iguaçu. O espaço já está em funcionamento e recebe cães e gatos.
Segundo a protetora e vereadora Vanessa Witiuk Ferreira, o abrigo é uma iniciativa do município, com apoio de voluntários e da comunidade. Os animais acolhidos são cadastrados e permanecem no local enquanto seus tutores estão em situação de risco.

“É um abrigo municipal, mas que se estruturou com a ajuda da comunidade. A responsabilidade é do município”, explica Vanessa.
Atualmente, o espaço abriga 45 cães e 26 gatos. Outros cerca de 40 cães que estão em um abrigo emergencial devem ser transferidos para o novo local. A equipe também trabalha para ampliar a estrutura diante da possibilidade de novas famílias precisarem deixar suas casas.

Vanessa afirma que o objetivo é se preparar para uma eventual elevação do nível do rio. Segundo ela, o espaço deve ser ampliado conforme a necessidade. “Ninguém vai ficar para trás”, afirma.
Tutora visita gata que está no abrigo
Entre as famílias que precisaram deixar suas casas está a de Rita de Cássia Batista, moradora do bairro Santa Rosa. A residência dela não chegou a ser invadida pela água, mas ficou cercada pela enchente. Por orientação da prefeitura, Rita deixou o imóvel e foi para o abrigo montado na Escola Balduíno Cardoso. Os animais foram encaminhados para o abrigo municipal.

Moradora Rita de Cássia Batista com sua gata, Bibi. Foto: Franciele Da Luz
Uma das gatas da tutora, que vive com a família há cerca de dez anos, teve dificuldades para se adaptar à mudança de rotina. Acostumada a circular livremente pelo quintal, ela estranhou o espaço fechado e apresentou dificuldades para se alimentar.
“Ela está triste porque não é acostumada a ficar presa. É a primeira vez, em todo esse tempo de enchente, que ela está presa”, conta Rita.
A tutora decidiu visitar os animais e reencontrou a gata no abrigo. O caso ilustra uma das dificuldades enfrentadas por famílias que precisam deixar suas casas durante uma emergência: encontrar um local seguro para os animais enquanto aguardam a situação melhorar.
Rita também elogiou a estrutura e o atendimento oferecido aos animais.

Moradora Rita de Cássia Batista com sua gata, Bibi. Foto: Franciele Da Luz
Cadastramento pode ser feito antes da emergência
A orientação do município é que famílias que vivem em áreas com possibilidade de alagamento façam o cadastro dos animais antecipadamente. O procedimento pode ser realizado junto à Assistência Social, Defesa Civil ou setor de Defesa Animal.
A medida permite que o município tenha uma estimativa da quantidade de animais que poderá precisar receber caso o rio suba.

“As famílias que têm a possibilidade de suas casas serem atingidas e têm animais podem procurar a Assistência Social, a Defesa Civil ou a Defesa Animal para fazer o cadastramento já, previamente”, orienta Vanessa.
Animais recebem alimentação e atendimento veterinário
Os animais acolhidos recebem alimentação, água e acompanhamento veterinário. O município também mantém um vigia durante a noite, segundo Vanessa, e funcionários atuam na organização e manutenção do espaço.
Os gatos ficam em uma área separada, devido ao estresse provocado pela mudança de ambiente e pela convivência com outros animais. Há horários definidos para alimentação, além de cuidados específicos com animais prenhes e com filhotes.
Durante o período de acolhimento, alguns animais também estão passando por castração. Segundo Vanessa, três gatas e uma cadela foram encaminhadas para o procedimento em um dos dias de atendimento.

A intenção é aproveitar o período de acolhimento para realizar procedimentos que possam beneficiar os animais também após o retorno para suas famílias.
População pode ajudar
De acordo com Vanessa, neste momento o município consegue garantir a alimentação dos animais que estão no abrigo. As doações recebidas pela comunidade podem ser destinadas a famílias que deixaram suas casas, mas permanecem com os animais em residências de parentes ou amigos.
Cobertores e voluntários também são necessários. Quem quiser ajudar pode entrar em contato com o setor de Defesa Animal pelo telefone (42) 92001-1476 para receber orientações sobre horários e atividades. A Defesa Civil pode ser acionada pelo (42) 98878-3003.

Entre as tarefas estão passeios com os animais, cuidados com o espaço e apoio na preparação de estruturas para os cães.
Para os tutores que vivem em áreas de risco, a principal orientação é não deixar os animais para trás.
“Não deixem presos. Deem a chance que a gente gostaria de ter. Deem para os animais também”, afirma Vanessa.
Ela reforça, no entanto, que os tutores não devem se colocar em risco para tentar retirar os animais durante uma situação de emergência. A recomendação é acionar a Defesa Civil, Defesa Animal, Bombeiros ou outros órgãos responsáveis para que o resgate seja feito com segurança.

Fonte: Portal da Cidade União da Vitória
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