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Quem é a rainha das bolachas?

Ela mudou de profissão e se encontrou no mundo da confeitaria

Publicado em 13/04/2021 às 21:47
Atualizado em

Ela conquistou seu espaço na gastronomia fazendo bolachas. Hoje com mais de 2.500 alunas espalhadas pelo país e fora dele, chegou a lugares como Inglaterra, Japão, Portugal e Moçambique. Ela é a Taís Bormann, uma menina do interior, filha de chacareiros que hoje recebe o título de “Rainha das Bolachas”.

Desde os 13 anos o objetivo da Taís era estudar para buscar um futuro melhor. “A única saída que eu via para melhorar de vida era por meio do estudo, meu pai era muito simples, ganhava um salário mínimo como caseiro e com esse dinheiro sustentava a casa toda, eu ia de bicicleta para a escola com sacolinhas nos pés para não sujar o tênis porque só tínhamos um par”, conta Taís.

Como morava no interior precisou vir para “a cidade” estudar, pois onde morava não tinha o chamado segundo grau. Morou na casa dos patrões dos pais para poder terminar os estudos. O tempo passou e Taís se formou em administração, trabalhou como estagiaria e no mesmo local foi contratada como gerente de recursos humanos.

Por meio de estagio conseguiu uma bolsa e foi morar por um ano na Suiça. Quando retornou, fez pós graduação na área de recursos humanos e marketing.

Começou a dar aulas em Universidades, fez mestrado e nesse momento surgiu à oportunidade de trabalhar em uma multinacional como gerente de setor. Ali ela ficou por oito anos. Gerindo a região composta por 22 cidades. “Casei, tive filhos e estava com sucesso profissional e tinha toda aquela vida perfeita que eu sempre sonhei”, explica.

Era a mulher empresária de destaque que todos admiravam, mas com uma vida desgastada, “Eu não parava em casa, viajava muito para atender as cidades da região. Nesse ponto veio também o desgaste físico, chegou um dia que minha coluna travou durante o banho e não conseguia me mexer, nem falar”, afirmou Tais.



A mudança de vida


A partir desse momento iniciou uma longa jornada de tratamento, que durariam dois anos e meio entre cirurgia, tratamento e fisioterapia, “Aquele sonho que consegui realizar de uma vida inteira de esforço e sacrifício, desmoronou de uma hora para outra. Multinacional não espera, meu cargo foi substituído e eu entrei em um conflito muito grande para aceitar que perdi tudo aquilo que tinha conquistado” conta.

Foi um momento de reclusão, Taís perdeu o contato com outras pessoas e ficou restrita a família. “Nesse período fui resgatando as coisas que eu gostava de fazer na minha infância, o crochê, tricô, cozinhar... Porque na minha criação nós precisávamos saber fazer tudo isso, lavar, passar, cozinhar. E o que eu mais gostava era quando nós fazíamos bolachas para a páscoa e natal. Eram aquelas bolachas simples com açúcar colorido em cima, mas era uma festa”, lembra.

Taís ganhou um empurrãozinho da irmã que insistiu para ela fazer algo em relação à comida para trabalhar, pois ela sempre gostou de cozinhar, mas ela relutou, “Imagine, eu estudei tudo isso para ficar cozinhando em casa! Eu não aceitava esse “regresso” como mulher de ter que assumir o papel de dona de casa, tive um conflito gigante com isso”, explicou.

Mas a irmã não desistiu e teve um papel importante, incentivando sempre. Até que um dia uma amiga pediu para que ela fizesse o bolo do seu aniversário, “Deus vai apontando os caminhos e mostrando os sinais. Fiz o bolo dela bem no instinto, com base nas receitas da minha vó e das tias, mas sem medidas muito certinhas”, contou que fez as massas sem técnica, mas deu certo. “Aí veio minha cunhada pedir bolo e assim foi vindo várias encomendas. Postei as fotos no Facebook e coloquei: Aberto a encomendas! Para a minha surpresa começou a vir um monte de encomendas” afirmou.

Bem se veio encomendas era preciso ao menos saber fazer, então começou a busca por conhecimento, “Eu já vinha com a idéia de que preciso de estudo para fazer bem qualquer coisa, então fui estudar, em um ano fiz 34 cursos em confeitaria” conta. “Eu já nem sabia mais o que falar para meu marido, ele me dizia, você não parava em casa antes porque viajava a trabalho, agora optou pela confeitaria para ficar em casa e não para em casa por conta dos cursos, eu emendada um no outro” explicou Taís.

Foi quando sua mãe veio a intervir falando que se ela já havia sofrido com sérios problemas na coluna por uma rotina de viagens, isso logo aconteceria de novo, “No meio do puxão de orelha ela me disse, como você já tem experiência em dar aulas, porque você não ensina os outros a fazer bolo? Então eu pensei, sabe que isso é uma boa oportunidade!”

E então as coisas foram acontecendo. Taís lançou duas turmas com crianças que foram um sucesso, começou a fazer turmas de adultos. E o negócio foi crescendo, surgiram convites para fazer cursos em outras cidades, “Fui a algumas, mas os pedidos vinham de vários locais do Brasil, até do Acre tinha um convite para dar um curso. Aí veio a idéia de fazer o curso online, e comecei a montar as aulas. Por coincidência, ao mesmo tempo veio a pandemia” explicou. E quando veio a pandemia ela já estava com o curso online pronto e iniciando. Foi no momento propicio isso fez com que o curso ganhasse uma abrangência enorme. E o sucesso das bolachas veio em menos de dois anos.




O título de Rainha das bolachas


A confeitaria tem ferramentas de trabalho caras e por vezes difíceis de encontrar, Taís conta que quebrava muito a cabeça com a questão de materiais, “A experiência de morar no mato, na roça, de fazer com o que se tem em casa, me ajudou muito a deixar as coisas mais simples”, explicou a confeiteira, que adaptou vários materiais. Uma agulha especifica para glaciar bolacha, foi substituída por um simples palito de dente e ela foi passando essas informações para as alunas e outros confeiteiros. 

“Um dia fui a um congresso e comecei a simplificar os materiais, dois confeiteiros, um deles era o Lucas Corazza (apresentador do programa Que seja Doce) me apelidaram de rainha das bolachas porque eu fazia as coisas de uma forma democrática, ou seja, todas as pessoas poderiam fazer”, explica. E aos poucos foi se quebrando esse paradigma. “Vamos simplificar isso, passar a régua e dar a oportunidade pra todo mundo” relata.



Transformando vidas


Trabalhar em casa para ela precisava ser algo democrático e que as mulheres tivessem orgulho de fazer. “A gente como mulher quer ser bem estabelecida profissionalmente, mas como mãe o emocional da gente fica um caco, porque você quer equilibrar tudo e não dá conta, e quer se mostrar sempre forte, bonita e poderosa, mas por dentro você quer chorar porque esta tudo um caus”, afirma.

Hoje Taís tem orgulho do seu trabalho e inspira outras mulheres a encontrar o seu caminho e a resgatar os laços com a família.

Ela afirma que não é preciso ter o dom para conseguir trabalhar com confeitaria, tudo é questão de treino e dedicação. “Recebo diariamente depoimentos das alunas que conseguiram fazer, que melhoraram de vida, que saíram da depressão. E o melhor, que conseguiram, com essa renda, principalmente durante a pandemia, manter a casa com o dinheiro da venda das bolachas. Na páscoa tive uma aluna que faturou mais de 15 mil reais”, conta orgulhosa.

As alunas são de diversos lugares, idades e diversas profissões, “Tenho aluna que é médica, engenheira, professora e tenho aluna que não teve oportunidade de fazer faculdade, mas que por meio das bolachas pode dizer que hoje tem uma profissão e se orgulhar disso!”

Ao perguntar sobre o retorno financeiro ela relata que não tem nem comparação com o valor de quando trabalhava fora “Nem se compara, ganho muito mais, e o melhor, fazendo com mais gosto e com a liberdade de estar perto da minha família” finaliza.


Fonte: Portal da Cidade União da Vitória

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