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DESTAQUE NACIONAL

Sebrae reconhece associação de Porto União entre as 100 melhores do artesanato brasileiro

Associação Artesãos de Pêssankas do Vale do Iguaçu (APVI) é a única representante de SC entre os 100 vencedores do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato.

Publicado em 14/09/2026 às 11:47

(Foto: Assessoria)

O artesanato da Regional Centro-Norte do Sebrae/SC conquistou reconhecimento nacional. A Associação Artesãos de Pêssankas do Vale do Iguaçu (APVI), de Porto União, está entre as 100 vencedoras da 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato e é a única representante catarinense selecionada. A unidade produtiva contemplada é a da artesã de pêssankas Angela Zapotoczny, integrante da Associação. A cerimônia de entrega no dia 11 de novembro no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB Sebrae), no Rio de Janeiro. 

Promovido pelo Sebrae, o prêmio reconhece unidades produtivas artesanais que se destacam pela competitividade, qualidade, identidade cultural, inovação, sustentabilidade, gestão e potencial de mercado. Nesta edição, os 100 vencedores representam 22 unidades da Federação. A Região Nordeste concentrou 44 premiados, enquanto Minas Gerais foi o estado com maior número de vencedores, somando 21 selecionados.


Para Angela, a conquista foi recebida com surpresa, especialmente por colocar a Associação como a única representante de Santa Catarina entre os vencedores. “Nós ficamos muito felizes em ser contemplados nesse prêmio e mais ainda por sermos o único representante de Santa Catarina. Então, foi uma grata surpresa”, conta.

Angela explica que, embora sua unidade produtiva tenha sido a contemplada no processo de seleção, o reconhecimento representa o trabalho desenvolvido coletivamente pela entidade. “O prêmio é para a Associação Artesãos de Pêssankas do Vale do Iguaçu. Eu sou a unidade produtiva contemplada, porque cada associado conta como uma unidade produtiva, mas gostaria que esse reconhecimento ficasse em nome da Associação”, explica.


A própria inscrição começou de maneira inesperada. Segundo a artesã, inicialmente a Associação avaliou que aquele talvez não fosse o momento adequado para participar, considerando o trabalho necessário para cumprir as etapas e a incerteza quanto à classificação. A contadora da entidade, entretanto, realizou a inscrição e, após a aprovação na primeira fase, o grupo assumiu a continuidade do processo.

“Fomos passando pelas fases. Quando passou da primeira, ela repassou para nós e aí continuamos a preencher os requisitos. Fomos ficando bem surpresos porque estávamos sendo aprovados nas etapas”, relata Angela.

O reconhecimento coloca em evidência um trabalho dedicado à preservação das pêssankas, ovos decorados artesanalmente a partir de técnicas e simbologias transmitidas entre gerações e vinculadas à tradição cultural eslava. O trabalho desenvolvido pela Associação busca preservar esse patrimônio e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades de comercialização dos produtos.


Uma das peças inscritas para a premiação evidencia justamente a relação entre a tradição milenar da pêssanka e a identidade do território onde o trabalho é desenvolvido. Angela conta que a Associação incorpora elementos regionais à simbologia tradicional, em um processo de adaptação cultural que preserva as características da arte. A peça apresentada ao prêmio trouxe a gralha-azul e o pinheiro-araucária, dois símbolos fortemente associados à região. “Uma das peças que foi inscrita para a premiação foi uma pêssanka de simbologia regional, que é uma das características do nosso grupo e do nosso trabalho. Nós inserimos elementos locais dentro da simbologia milenar da pêssanka. Temos um processo de aculturação dentro dessa arte milenar”, explica Angela.

Segundo a artesã, essa identidade regional aparece em diferentes peças produzidas pelo grupo. Além da gralha-azul e da araucária, são incorporados elementos como erva-mate, butiá, imbuia, carqueja, quero-quero, beija-flor e outras referências locais. A erva-mate também é utilizada no tingimento natural das peças. “Procuramos colocar todos esses nossos símbolos representando de onde nós viemos”, acrescenta.


Porto União também recebe, anualmente, na semana da Páscoa, a maior feira de pêssankas do Brasil. Realizado pela Associação, o evento reúne mais de 800 ovos decorados, proporcionando ao público contato com diferentes trabalhos e contribuindo para a divulgação e comercialização dessa manifestação cultural.

Angela explica que a entidade vem recebendo apoio de diferentes instituições. No Sebrae/SC, uma das frentes está relacionada à inserção na rota turística Encantos do Planalto Norte, trabalho acompanhado pela consultoria do Sebrae. A proposta amplia a possibilidade de apresentar as pêssankas aos grupos turísticos que visitam os empreendimentos da região.


A artesã também cita o contato com o Sebrae/SC para dar continuidade às discussões relacionadas a um diagnóstico favorável para uma possível Indicação Geográfica (IG) vinculada ao artesanato. A Associação também recebe apoio da Epagri em ações relacionadas a negócios e mercados e integra a Rede Artesol, iniciativa nacional ligada ao artesanato cultural brasileiro.

Para a gerente regional Centro-Norte do Sebrae/SC, Aglaes Beatriz Meirelles da Silva, a conquista demonstra a capacidade dos produtos com identidade territorial de alcançar novos espaços. “Ter a única representante catarinense entre os 100 vencedores do país é motivo de muita satisfação para a nossa Regional. É um reconhecimento que valoriza o trabalho da Associação, a trajetória de seus artesãos e uma expressão cultural preservada por gerações. Quando conseguimos associar identidade, qualidade, gestão e acesso a mercado, criamos condições para que o artesanato também se fortaleça como atividade econômica e gere novas oportunidades para quem vive desse trabalho”, destaca.

Visibilidade para transformar reconhecimento em renda

Agora, a expectativa da Associação é aproveitar a projeção proporcionada pelo Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato para ampliar a presença das pêssankas no mercado nacional. A entidade já mantém relações comerciais com lojistas que realizam compras periódicas, mas pretende alcançar novos compradores e ampliar o retorno financeiro proporcionado pelo artesanato. “O que a gente quer agora é visibilidade para alcançar novos mercados, conseguir mais retorno financeiro, colocar nosso produto no mercado, vender mais e conseguir sobreviver da pêssanka”, afirma Angela.

Além da comercialização direta das peças, a Associação também desenvolve oficinas de formação, aliando a preservação da técnica à preparação de novos artesãos. “Além da geração de renda com a venda direta da produção das pêssankas, nós também trabalhamos com oficinas de formação, tanto para a preservação dessa arte quanto para a formação de novos artesãos, que também possam vir a gerar renda com esse trabalho”, explica Angela.

Além do reconhecimento nacional, os vencedores do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato poderão utilizar o selo oficial da 6ª edição pelo período de três anos e terão oportunidades de participação em catálogos, feiras e ações de promoção comercial.

Fonte: Assessoria

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