INVESTIGAÇÃO
Motorista é indiciado pela morte de gerente atropelada por ônibus em Papanduva
Polícia Civil aponta negligência e uso de celular antes de coletivo avançar e prensar Mariane Hilko contra uma mureta.
Publicado em 24/09/2026 às 13:40
A Polícia Civil de Papanduva concluiu a investigação sobre a morte de uma mulher de 33 anos, gerente de caixa de um restaurante localizado em um posto de parada às margens da BR-116, em Papanduva.
O caso ocorreu na noite de 5 de agosto de 2026 e resultou no indiciamento de um motorista de ônibus, de 65 anos, pelo crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, qualificado pela atividade de transporte de passageiros.
De acordo com a investigação, a vítima foi até o ônibus para interceder em uma pendência comercial envolvendo passageiros estrangeiros. Ao retornar, ela caminhava pela parte frontal do coletivo quando o veículo avançou repentinamente e a prensou contra uma mureta de proteção.

As diligências realizadas pela Polícia Civil, com apoio de exames periciais, imagens das câmeras internas do ônibus e dados de telemetria, foram utilizadas para reconstruir a dinâmica do acidente.
INVESTIGAÇÃO
Conforme a apuração, o motorista utilizava o telefone celular no momento da ocorrência. Ele teria se levantado do banco sem desligar o veículo ou alterar a marcha e, na sequência, retirado a pressão do freio.
Para a Polícia Civil, a conduta caracterizou negligência, especialmente porque o ônibus estava em um local com circulação de pedestres.
Com a conclusão do inquérito, o motorista foi formalmente indiciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor, previsto no artigo 302, § 1º, inciso IV, do Código de Trânsito Brasileiro.
O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não equivale a uma condenação. O caso segue para as demais providências previstas na legislação.

ENTENDA O CASO
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 19h15 para atender uma ocorrência inicialmente registrada como atropelamento. No local, as equipes encontraram um ônibus Mercedes-Benz/Busscar Vissta Buss R, com placas de Maringá (PR), que transportava 38 passageiros e o motorista.
O coletivo fazia o trajeto entre São Paulo e Porto Alegre (RS) quando saiu da área de circulação e atingiu a parte externa do restaurante.
Segundo os bombeiros, antes de atingir a estrutura do estabelecimento, o ônibus atropelou Mariane, que acabou prensada contra uma mureta de proteção. A força do impacto provocou danos e rompeu parcialmente uma parede de acesso ao imóvel.
Após a estabilização da cena, as equipes dos bombeiros acessaram a parte inferior do ônibus e localizaram Mariane próxima aos destroços da mureta.

Ela apresentava múltiplos ferimentos traumáticos e não possuía sinais vitais. O óbito foi constatado ainda no local. A área permaneceu isolada para os trabalhos da Polícia Científica.
O motorista do ônibus foi encontrado dentro do restaurante, consciente, mas bastante abalado emocionalmente. Ele recebeu os primeiros atendimentos e foi encaminhado ao Hospital São Sebastião para avaliação médica.
Uma passageira, de 62 anos, também precisou de atendimento após relatar sensação de corpo estranho no olho esquerdo, provocada por estilhaços de vidro durante a colisão. Ela foi encaminhada ao hospital.
Os demais passageiros foram avaliados pelos bombeiros e não apresentaram ferimentos que exigissem encaminhamento para atendimento médico.
O QUE ACONTECEU ANTES DA BATIDA
As informações divulgadas inicialmente apontavam que o acidente teria ocorrido após uma discussão relacionada ao pagamento de uma despesa no restaurante.
Um casal que estava no ônibus teria deixado o estabelecimento sem pagar a conta. Mariane, que trabalhava como gerente, teria ido até a área externa para cobrar o valor.
Durante a tentativa de abordagem dos passageiros ou do ônibus, a gerente acabou atingida pelo coletivo. Na sequência, o veículo avançou sobre a área lateral do restaurante. Mais tarde se descobriu que o casal era cubano e a discussão se deu porque eles só tinham dólares para pagar a conta.
As circunstâncias exatas da movimentação do ônibus passaram a ser apuradas pelas autoridades.
A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Comarca de Papanduva, posteriormente concluiu o inquérito e indiciou o motorista por homicídio culposo na direção de veículo automotor, qualificado pela atividade de transporte de passageiros.
Fonte: JMais Canoinhas
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