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SAÚDE

Quinta morte de bebê por problemas respiratórios acende alerta na região de Canoinhas

Bebê de dez meses morreu após ser atendido em estado grave na UPA . Caso é o quinto envolvendo crianças registrado na comarca em menos de dois meses.

Publicado em 30/07/2026 às 16:13
Atualizado em

Imagem ilustrativa (Foto: Freepik/divulgação)

A comarca de Canoinhas registrou nesta quarta-feira, 29, a quinta morte de um bebê associada a problemas respiratórios em menos de dois meses. Apesar de morar no interior de Canoinhas, a criança de 10 meses de idade foi atendida inicialmente no Hospital de Irineópolis e, posteriormente, encaminhada pela família à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Canoinhas. O menino se chamava Rafael Bernardo Lopes.

Ao dar entrada na UPA, o bebê apresentava quadro gravíssimo, com comprometimento importante da frequência respiratória e da saturação de oxigênio. Diante da gravidade, a equipe iniciou imediatamente as medidas de suporte avançado e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com o objetivo de viabilizar a transferência para uma unidade de maior complexidade.

Apesar da intubação e de todas as medidas adotadas pela equipe, a criança não apresentou estabilização clínica, evoluiu para parada cardiorrespiratória e, mesmo após todas as manobras de reanimação, o óbito foi confirmado.

A Prefeitura de Canoinhas emitiu nota manifestando “profundo pesar pela morte da criança e (que) se solidariza com os familiares e amigos neste momento de dor.” Questionada pela reportagem sobre a possibilidade de o caso estar relacionado à bronquiolite, o Município informou que a insuficiência respiratória pode ter sido causada pela doença, mas a confirmação só pode ser feita mediante um exame no corpo do bebê. Para tanto, o corpo teria de ser encaminhado para o serviço de verificação de óbitos, em Joinville. A família, no entanto, não autorizou o encaminhamento do corpo ao Serviço de Verificação de Óbitos. Assim, a causa registrada seria  insuficiência respiratória.

O corpo do menino foi sepultado nesta quarta-feira, 29, no Cemitério de Rio d’Areia do Meio, interior de Canoinhas.

QUINTO CASO

Pelo menos quatro crianças morreram de complicações ligadas ao aparelho respiratório desde junho em três das quatro cidades que compõem a comarca de Canoinhas. As mortes foram registradas em Major Vieira no dia 2 de junho e no mesmo dia, 18 de junho, em Canoinhas e Três Barras. A quarta morte foi registrada em Três Barras. Em parte dos casos houve suspeita clínica de bronquiolite durante o atendimento. Em alguns deles, porém, o diagnóstico não foi oficialmente confirmado.

O primeiro caso, em 2 de junho, chamou a atenção para o fato de o bebê ter sido um dos 11 que há quase um ano receberam, por engano, soro antiofídico no lugar da vacina contra a hepatite B. José Alfredo de Campos, de 10 meses, enfrentava problemas de saúde recorrentes desde o nascimento. Os pais levantam a hipótese de que esses problemas possam estar relacionados à aplicação equivocada do soro antiofídico, circunstância que não foi confirmada por investigação ou laudo oficial até o momento. Leila Bueno relatou ao JMais que, ao longo dos meses, procurou diversas vezes atendimento médico para o filho e chegou a pedir exames mais aprofundados, mas que os profissionais avaliavam os sintomas como quadros gripais comuns.

Nos dez meses de vida de João Alfredo, o posto de saúde de Major Vieira passou a ofertar atendimento em pediatria somente nos últimos meses. Leila conta que levou o filho duas vezes para consultar com a pediatra. Na segunda vez, depois de os sintomas da suposta gripe persistirem é que a médica disse a mãe para marcar uma terceira consulta na qual então seria solicitada uma bateria completa de exames para ver o que poderia estar por trás de tantas gripes consecutivas. O quadro do menino se agravou no dia 31 de maio e ele foi internado no Hospital São Lucas de Major Vieira no dia 1º de junho. Com dificuldade respiratória ele foi transferido para o Hospital Materno Infantil de Joinville no dia 2. Segundo relato da família com base nas informações repassadas pela equipe médica, o bebê chegou ao hospital em estado extremamente grave e foi submetido a tentativas de reanimação.

Procurado à época, o Hospital Santa Cruz informou que a bronquiolite foi apontada como causa da morte. Já os hospitais de Major Vieira e de Joinville informaram não confirmar esse diagnóstico. Uma perícia foi feita no corpo, mas até o momento o resultado não saiu.

DUAS MORTES NO MESMO DIA

Em 18 de junho, dois bebês morreram em decorrência de problemas respiratórios. Em Três Barras, Heitor Astrisi Cordeiro, de dois meses, deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Félix da Costa Gomes na segunda-feira, 15. No dia seguinte ele foi transferido para Mafra, onde acabou falecendo. Segundo relatos de amigos da família ouvidos pela reportagem, o bebê teria desenvolvido um quadro de pneumonia decorrente de bronquiolite. A informação, entretanto, não foi confirmada oficialmente pelos serviços de saúde. Seu sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Três Barras.

Já em Canoinhas, a Secretaria de Saúde do Município confirmou que Valentina Nathieli Ferreira, de seis meses, morreu em decorrência de bronquiolite. O corpo da menina foi sepultado no Cemitério Municipal de Canoinhas.

Segundo amigos da família, a menina começou a passar mal na madrugada do dia 18. Os pais a levaram ao Pronto Atendimento de Canoinhas, onde ela ficou até a tarde, quando foi transferida para Mafra, mas acabou morrendo no caminho. A Secretaria de Educação de Canoinhas publicou uma nota de pesar, já que a menina frequentava o CEI Vinicius de Moraes, da rede pública de ensino.

Os pais de Valentina alegam que houve demora no início da transferência da criança e sustentam a hipótese de possível negligência médica. Eles já registraram o caso na ouvidoria do Município e, agora, devem oficializar a denúncia no Ministério Público.

Em 16 de julho, Yago Rodrigo Gonçalves da Rocha, de apenas 20 dias, morreu após apresentar um quadro de pneumonia..

ALERTA

Por ocasião da morte de José Alfredo, o Hospital Santa Cruz já havia emitido um alerta sobre a importância da vacinação para evitar a bronquiolite.

“A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda que acomete principalmente crianças menores de dois anos, sendo causada, na maioria dos casos, pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A doença provoca inflamação dos bronquíolos, dificultando a passagem de ar e podendo causar insuficiência respiratória grave, especialmente em bebês prematuros ou com baixa imunidade. Notícias recentes divulgadas em 2026 registraram aumento de internações e óbitos infantis relacionados à bronquiolite em diversas regiões do país. Importante esclarecer que a bronquiolite causada pelo VSR não possui relação com a vacina contra Hepatite B nem com a administração de soro antibotrópico, utilizados para finalidades médicas completamente distintas. Também deve ser considerado que o protocolo municipal específico de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a ser adotado apenas ao final do ano de 2025, razão pela qual muitas crianças anteriormente não tiveram acesso à imunização preventiva disponível atualmente. Especialistas destacam que a gravidade da doença está associada à rápida evolução respiratória em crianças pequenas, sendo fundamentais o diagnóstico precoce, o acompanhamento médico adequado e as medidas preventivas específicas contra o VSR para redução de complicações e óbitos infantis.”

A Secretaria de Saúde de Canoinhas informou à época que faria uma série de divulgações alertando os pais para a importância da vacina. Segundo a Secretaria de Saúde de Canoinhas, a recomendação do Ministério Público para interrupção dos contratos com veículos de imprensa fez com que a campanha ficasse restrita às redes sociais e ao site institucional.

CUIDADOS A SEREM TOMADOS

Os pais devem observar o comportamento da criança e não apenas a presença de tosse.

O pediatra Adriano Cremasco Salvador explica que um dos principais sinais é o chamado esforço respiratório. “No pescoço afunda toda vez que a criança respira. As costelas ficam aparecendo e a barriguinha acompanha esse movimento. Parece uma pessoa que acabou de fazer um esforço físico intenso e ainda está tentando recuperar o fôlego”.

Também merecem atenção:

• respiração muito rápida; 

• chiado intenso; 

• batimento das asas do nariz; 

• pausas para respirar; 

• dificuldade para mamar; 

• sonolência excessiva; 

• lábios, língua ou unhas arroxeados. 

Não existe um medicamento capaz de eliminar o vírus causador da bronquiolite. Nos casos leves, o tratamento é feito em casa com hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico, controle da febre e acompanhamento médico.

Quando há comprometimento respiratório, pode ser necessária internação para oferta de oxigênio e outras medidas de suporte. “A bronquiolite não tem um tratamento específico que elimine o vírus. Quando o quadro é grave, a criança pode precisar de internação para receber oxigênio e, em situações mais graves, até ventilação mecânica”, explica o pediatra.

Atenção redobrada nos menores de seis meses

Embora qualquer bebê possa desenvolver bronquiolite, os casos mais graves costumam ocorrer entre os menores de seis meses e crianças com doenças associadas. “Não é motivo para desespero, mas principalmente em crianças menores de seis meses é preciso atenção redobrada. Se a criança ficou cansada para respirar, não espere em casa. Procure atendimento médico”, reforça Adriano.

Prevenção 

Desde dezembro de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o VSR para gestantes.

A aplicação é recomendada a partir da 28ª semana de gestação. Os anticorpos produzidos pela mãe atravessam a placenta e protegem o bebê nos primeiros meses de vida. O objetivo é reduzir complicações respiratórias em bebês nos primeiros meses de vida, especialmente bronquiolite e pneumonia, doenças que costumam aumentar no período de maior circulação viral.

“A mãe produz anticorpos que passam para o bebê ainda durante a gestação. Essa proteção é muito importante justamente nos primeiros meses, quando o risco de complicações é maior”, explica a enfermeira e secretária de saúde de Canoinhas, Francieli da Costa Colla. A vacina está disponível nas unidades básicas de saúde. 

Além da vacinação da gestante, algumas medidas reduzem a transmissão dos vírus respiratórios:

• lavar as mãos antes de tocar no bebê; 

• orientar visitantes a fazerem o mesmo; 

• evitar contato com pessoas gripadas; 

• reduzir visitas e aglomerações nos primeiros meses de vida; 

• manter os ambientes ventilados; 

• higienizar brinquedos, celulares e superfícies; 

• não expor a criança à fumaça do cigarro; 

• manter o aleitamento materno sempre que possível; 

• manter a vacinação da criança e dos familiares em dia.

Fonte: JMais Canoinhas

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