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Papo de especialista

O erro que muita gente comete ao ajudar uma pessoa cega

Ricardo Inclusivo explica quais atitudes devem ser evitadas e ensina como oferecer ajuda de forma respeitosa, preservando a autonomia e a independência.

Publicado em 03/06/2026 às 09:25
Atualizado em

(Foto: Assessoria)

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Muitas pessoas têm boa vontade e querem ajudar uma pessoa cega quando a encontram na rua, em um comércio ou em qualquer outro ambiente. Essa intenção é muito importante, mas existe um detalhe que faz toda a diferença: ajudar da forma errada pode acabar tirando a autonomia da pessoa.

Por isso, quero destacar duas atitudes simples que tornam a ajuda mais respeitosa e eficiente.

 1. Pergunte antes e ofereça apoio

A primeira regra é muito simples: nunca pegue uma pessoa cega pela mão, pelo braço ou pela bengala sem avisar.

Antes de qualquer coisa, pergunte: "Você precisa de ajuda?"

Se a resposta for sim, ofereça o seu cotovelo ou o seu ombro. Dessa forma, a pessoa poderá se apoiar em você e acompanhar seus movimentos com segurança.

Ao conduzi-la, caminhe naturalmente, sempre um passo à frente. Isso permite que ela perceba o trajeto e acompanhe a direção sem perder sua independência.


 2. Seja específico ao se comunicar

Outro erro muito comum é apontar para algum lugar e dizer frases como: "Está ali", "É para lá" ou "Fica logo aqui".

Para quem não enxerga, essas informações não ajudam.

O ideal é ser objetivo e detalhado: "Está à sua direita", "dois passos à frente", "há um degrau" ou "a porta fica logo após a recepção".

Essas orientações permitem que a pessoa compreenda o espaço e se desloque com mais autonomia.

E existe outro cuidado importante: se você precisar sair, avise antes. Assim, evita que a pessoa continue conversando sem perceber que ficou sozinha.


Autonomia é respeito

Muita gente acredita que está sendo gentil ao acompanhar uma pessoa cega o tempo todo. Mas, na maioria das situações, isso não é necessário.

Depois que você ajudou e deixou a pessoa no local correto, permita que ela siga seu caminho sozinha.

A pessoa cega não precisa de uma babá. Precisa de respeito, acessibilidade e autonomia para exercer sua independência.

Pequenas atitudes fazem uma grande diferença na construção de uma sociedade mais inclusiva para todos.


Ricardo Angelino dos Santos, conhecido como Ricardo Inclusivo, é deficiente visual, vice-presidente da Igreja Batista Nova Vida e integrante da Adevivi (Associação dos Deficientes Visuais do Vale do Iguaçu). Morador de União da Vitória há 27 anos, atua na promoção da inclusão, acessibilidade e conscientização social por meio da informação e do diálogo.

Fonte: Assessoria

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