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Papo de especialista

O conforto no pós-parto começa durante a gestação

A fisioterapeuta pélvica Ana Betto explica por que o preparo para um pós-parto mais leve começa muito antes do nascimento do bebê.

Publicado em 07/07/2026 às 15:21

(Foto: Assessoria)

Muitas mulheres acreditam que a recuperação só começa depois que o bebê nasce. Mas a verdade é que um pós-parto mais leve pode ser construído durante toda a gestação. A fisioterapia pélvica prepara o corpo para enfrentar as transformações da gravidez, do parto e do puerpério de forma mais segura. Não é apenas sobre "fortalecer o períneo". É sobre ensinar o corpo a funcionar melhor. Durante a gestação, o acompanhamento fisioterapêutico pode:

  • reduzir dores na lombar, pelve e quadris;
  •  diminuir a sensação de peso na região pélvica;
  •  prevenir e tratar a incontinência urinária;
  • melhorar o controle da musculatura do assoalho pélvico;
  • trabalhar força, resistência e, principalmente, a capacidade de relaxamento muscular, fundamental para o parto;
  • melhorar a postura e a respiração;
  • favorecer a mobilidade da pelve, tornando o corpo mais preparado para o nascimento do bebê;
  • orientar estratégias para proteger o períneo durante o parto;
  • aumentar a consciência corporal, proporcionando mais segurança e confiança para esse momento.

Diversos estudos demonstram que o treinamento dos músculos do assoalho pélvico durante a gestação reduz o risco de perdas urinárias ainda na gravidez e também no pós-parto, além de favorecer uma recuperação funcional mais rápida. E quando o bebê nasce, a fisioterapia continua sendo uma grande aliada.

Cada mulher vive um puerpério diferente. Algumas apresentam dor, edema, dificuldade para sentar, cicatrizes sensíveis, sensação de peso, fraqueza abdominal ou insegurança para voltar às atividades do dia a dia. É por isso que o tratamento é individualizado.

Entre os recursos utilizados está bandagem elástica, o famoso TAPE. Muito além de "colar uma fita", o TAPE oferece suporte aos tecidos que passaram por grande estiramento durante a gestação, melhora a sustentação abdominal, proporciona maior sensação de estabilidade ao tronco, auxilia o trabalho da musculatura abdominal durante os movimentos, reduz a sobrecarga na região lombar e contribui para diminuir edemas. Muitas mulheres relatam mais conforto para caminhar, levantar da cama, carregar o bebê e realizar as atividades do dia a dia.

Outro recurso extremamente valioso é o laser de baixa potência. O laser acelera o processo de cicatrização, reduz o processo inflamatório, diminui a dor e melhora a qualidade da cicatriz após episiotomia, lacerações perineais ou cesariana. Também pode auxiliar no tratamento de fissuras mamilares, muito comuns durante a amamentação, promovendo analgesia, estimulando a reparação dos tecidos e tornando esse momento menos doloroso para a mãe.

Além disso, o laser pode ser utilizado em cicatrizes que permanecem endurecidas, dolorosas ou com alteração de sensibilidade, ajudando a devolver mobilidade aos tecidos e proporcionando uma recuperação mais confortável.

Quanto antes o corpo recebe os estímulos adequados, melhores tendem a ser as condições para recuperar sua função.

Cuidar do assoalho pélvico durante a gestação não significa apenas prevenir sintomas. Significa investir em uma recuperação mais confortável, voltar às atividades com mais segurança, reduzir o risco de futuras disfunções e permitir que a mulher viva a maternidade com mais qualidade de vida e bem-estar.

Seu corpo fez algo extraordinário. Ele também merece uma recuperação extraordinária.


Por Ana Betto – Fisioterapeuta Pélvica


Fonte: Assessoria

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