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GEOLOGIA

Terremotos no Brasil? Geóloga explica riscos após tremores registrados na Venezuela

Engenheira geóloga, Jamile Sekula, esclarece dúvidas sobre abalos sísmicos, escala Richter e explica por que o país registra tremores de baixa intensidade.

Publicado em 10/07/2026 às 15:59
Atualizado em

(Foto: Getty Images/divulgação e arquivo pessoal)

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Os terremotos registrados recentemente na Venezuela levantaram dúvidas entre brasileiros sobre a possibilidade de grandes tremores no país. Segundo a engenheira geóloga Jamile Sekula, o Brasil também possui atividade sísmica, mas a maior parte dos eventos ocorre com baixa intensidade porque o território está localizado no interior da Placa Sul-Americana.

Em entrevista à Rádio Educadora Uniguaçu e ao Portal da Cidade União, a especialista explicou que alguns moradores da região Norte do Brasil chegaram a sentir pequenos efeitos de tremores ocorridos em países vizinhos, como consequência da propagação das ondas sísmicas.

“Quando a gente tem terremotos muito próximos aqui do Brasil, não precisa se preocupar. O terremoto é uma onda sísmica que vai vibrar e tem um certo espaço de propagação. No caso da Venezuela, algumas regiões do norte do país sentiram um leve tremor, mas nem se compara com o terremoto em si”, explicou.

Brasil tem terremotos, mas maioria é de baixa intensidade

Apesar da ideia de que o Brasil estaria livre de terremotos, a especialista explica que o país registra atividades sísmicas com frequência.

A diferença em relação a países como Chile, Peru e Japão está principalmente na localização geológica. Enquanto esses países estão próximos a limites de placas tectônicas, onde ocorre maior movimentação entre grandes blocos da crosta terrestre, o Brasil está no interior da Placa Sul-Americana.

“Os terremotos que acontecem aqui são chamados de intraplaca. Eles existem, mas normalmente não têm grandes magnitudes”, afirmou.

Segundo a geóloga, os tremores registrados no Brasil geralmente são rasos, com o ponto de origem, chamado de hipocentro, localizado em profundidades relativamente pequenas.

Como funciona a escala dos terremotos?

Durante a entrevista, Jamile explicou que a magnitude dos terremotos é medida por escalas logarítmicas. Embora a população conheça principalmente a escala Richter, atualmente estudos científicos utilizam com frequência a escala de magnitude de momento para medir grandes terremotos.

Ela explicou que, em uma escala logarítmica, cada aumento de um ponto representa uma mudança significativa na força do evento.

“Um terremoto de magnitude cinco não é apenas um pouco maior que um de magnitude quatro. Existe uma diferença muito grande na energia liberada”, explicou.

De forma geral, os efeitos dos terremotos variam conforme a magnitude, a profundidade do tremor, a distância do epicentro, o tipo de solo e a qualidade das construções.

Eventos de menor magnitude normalmente são sentidos apenas como pequenos tremores. Já terremotos mais fortes podem provocar danos estruturais, principalmente em locais com construções vulneráveis.

Por que alguns países sofrem com terremotos mais fortes?

Segundo Jamile, a principal diferença entre o Brasil e países como Chile e Japão está relacionada aos limites das placas tectônicas.

“Esses países estão no choque das placas. É onde uma placa encontra a outra, seja por aproximação, afastamento ou movimento lateral. É nesses locais que acontecem os maiores terremotos”, explicou.

Ela citou o chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, uma região que concentra grande parte da atividade sísmica do planeta.

“São milhares de terremotos registrados todos os anos no mundo. Uma grande parte deles ocorre justamente nessas áreas de encontro de placas”, afirmou.

Tremores na Venezuela e no Japão não têm relação

Após terremotos ocorrerem em diferentes países em datas próximas, surgiram comentários nas redes sociais sugerindo que os eventos poderiam estar conectados.

A geóloga explicou que não existe essa relação direta.

“Como são limites de placas diferentes, cada uma tem o seu próprio movimento. São muitos terremotos acontecendo todos os anos. Quando coincidem as datas, é apenas uma coincidência”, disse.

Segundo ela, os terremotos são movimentos naturais da Terra e fazem parte da dinâmica do planeta.

Terremotos podem causar tsunamis?

A especialista explicou que tsunamis estão relacionados principalmente a terremotos que ocorrem no fundo do oceano e provocam deslocamento da água.

“A tsunami acontece quando existe uma movimentação que altera o assoalho oceânico, gerando aquela grande onda. Não é qualquer terremoto que causa tsunami”, explicou.

É possível prever um terremoto?

Segundo Jamile, ainda não existe uma tecnologia capaz de informar exatamente quando e onde um terremoto vai acontecer.

O monitoramento é feito por equipamentos chamados sismógrafos, que registram as ondas sísmicas depois que o tremor ocorre.

“O que conseguimos identificar é onde aconteceu, qual foi a magnitude e as características do terremoto. Mas primeiro ele precisa acontecer”, afirmou.

Ela explicou que países como o Japão possuem sistemas avançados de alerta, capazes de enviar avisos poucos segundos antes da chegada das ondas sísmicas às áreas urbanas.

Sistemas de alerta podem usar sensores de celulares

Durante a entrevista, Jamile também comentou sobre alertas recebidos por celulares em algumas regiões afetadas por terremotos.

Segundo ela, alguns sistemas modernos utilizam sensores presentes nos aparelhos, como acelerômetros, para ajudar na identificação de movimentos associados aos tremores.

A disponibilidade desses recursos depende do país, do sistema utilizado e das configurações do aparelho.

Brasil não está livre de terremotos fortes

Apesar de os grandes terremotos serem considerados raros no Brasil, a especialista destaca que o país não está completamente livre desses eventos.

“Mesmo estando no interior da placa, o Brasil pode registrar terremotos de maior magnitude. Eles são menos frequentes do que em regiões próximas aos limites das placas”, afirmou.

Ela explicou que a diferença está justamente na frequência. Países como Chile possuem ocorrência muito mais elevada de grandes terremotos porque estão em uma área de intensa movimentação tectônica.

“No Brasil, esses eventos são muito mais espaçados, mas isso não significa que eles não possam acontecer”, concluiu.

Entrevista completa

A entrevista completa com a engenheira geóloga Jamile, está disponível no player de áudio, localizado no início desta reportagem. No conteúdo, a especialista explica em detalhes como ocorrem os terremotos, esclarece dúvidas sobre os riscos para o Brasil e comenta os principais mitos que circulam nas redes sociais sobre o tema.

Fonte: Portal da Cidade União da Vitória

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