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Papo de especialista

CrossFit, corrida e musculação: por que atletas estão procurando a fisioterapia pélvica?

Sintomas como perda urinária e alterações intestinais durante exercícios de alta intensidade não devem ser considerados normais e podem ser tratados.

Publicado em 19/06/2026 às 15:49

(Foto: Assessoria)

A popularização do CrossFit, da corrida de rua e da musculação tem levado cada vez mais atletas e praticantes de atividades físicas a voltarem a atenção para um tema ainda cercado por tabus: a saúde do assoalho pélvico. 

Segundo a fisioterapeuta pélvica Gabriele Hoffmann, a musculatura da região exerce papel fundamental na sustentação dos órgãos pélvicos, no controle urinário e intestinal e também na estabilidade do corpo durante os exercícios. Por isso, alterações nessa estrutura podem impactar tanto a qualidade de vida quanto o desempenho esportivo. 

“Durante atividades de alto impacto, como saltos, corridas e levantamento de peso, há um aumento da pressão abdominal, exigindo muito da musculatura do assoalho pélvico. Quando essa região não está funcionando adequadamente, podem surgir sintomas que muitas pessoas acabam considerando normais, quando na verdade merecem avaliação especializada”, explica Gabriele. 

Casos recentes chamaram atenção para o problema 

A discussão ganhou repercussão após relatos de atletas de endurance que enfrentaram episódios de perda involuntária durante competições. Um dos casos mais comentados foi o de uma maratonista que sofreu um episódio de escape fecal em uma prova de longa distância, situação que trouxe à tona um assunto pouco debatido no meio esportivo. 

De acordo com Gabriele Hoffmann, embora sejam situações que causam constrangimento, elas não devem ser motivo de vergonha e tampouco encaradas como algo normal. 

“Assim como a perda urinária durante exercícios, alterações intestinais relacionadas ao esforço físico também merecem atenção. São sinais de que o corpo está pedindo uma avaliação e, na maioria dos casos, há tratamento e estratégias que permitem ao atleta continuar praticando sua modalidade com segurança”, afirma. 

CrossFit também exige atenção

Entre os praticantes de CrossFit, sintomas como escapes urinários durante saltos, corridas, levantamento de peso e exercícios de alta intensidade são mais comuns do que muitas pessoas imaginam. Entretanto, por receio ou desconhecimento, muitos acabam se adaptando ao problema em vez de buscar ajuda. 

Segundo a fisioterapeuta, a perda de urina durante a prática esportiva não deve ser encarada como consequência natural dos treinos. 

“É comum ouvir frases como ‘isso acontece com todo mundo’ ou ‘é normal perder um pouco de urina durante o exercício’. Mas não é. O corpo está emitindo um sinal, e a fisioterapia pélvica pode atuar tanto na prevenção quanto no tratamento dessas disfunções”, ressalta. 

Além do tratamento dos sintomas, o trabalho também pode contribuir para a melhora da consciência corporal, do controle muscular e da estabilidade do core, fatores importantes para o desempenho esportivo. 

Quando procurar um especialista? 

● Perda de urina durante os exercícios;

● Escape de gases ou alterações intestinais relacionadas ao esforço físico;

● Sensação de peso ou pressão na região pélvica;

● Dores na pelve, quadril ou lombar;

● Desconforto durante a prática esportiva;

● Diminuição do rendimento associada a sintomas pélvicos. 

Com o aumento do número de corredores, praticantes de musculação e adeptos do CrossFit, cuidar da saúde do assoalho pélvico é tão importante quanto fortalecer qualquer outro grupo muscular. 

“Não é preciso conviver com sintomas por vergonha ou achar que fazem parte do esporte. Quanto mais cedo houver avaliação e tratamento, melhores serão os resultados e a qualidade de vida”, conclui a fisioterapeuta Gabriele Hoffmann

Fonte: Assessoria

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