Papo de especialista
Por que dar voz às crianças? O olhar do Colégio São José sobre a aprendizagem
Mais do que preparar as crianças para o amanhã, precisamos dar o espaço para que elas transformem o hoje.
Publicado em 17/06/2026 às 11:17
Por muito tempo, a infância foi vista sob a ótica da preparação. Olhávamos para os pequenos pensando no que eles seriam quando crescessem, esquecendo-nos de quem eles já são. Hoje, a psicologia, a pedagogia e a própria neurociência convergem para a necessidade de cultivar a autonomia e o protagonismo infantil desde a base.
1. O Conceito: Autonomia vs. Protagonismo
Embora caminhem juntos, esses dois conceitos possuem focos ligeiramente diferentes:
● Autonomia: É a capacidade da criança de governar a si mesma, de fazer escolhas e realizar ações por conta própria (cuidar dos seus pertences, amarrar o sapato, decidir com o que quer brincar). É o desenvolvimento da independência física, moral e intelectual.
● Protagonismo: É quando a criança é a figura central do processo educativo. Suas ideias, hipóteses, dúvidas e interesses guiam o currículo. O protagonismo acontece quando a voz da criança é escutada e levada em consideração no planejamento do professor.
2. Fundamentação Pedagógica e a BNCC
Essa abordagem não é um "deixar fazer o que quer". Ela é amplamente respaldada pela abordagem italiana de Reggio Emilia (que vê a criança como um ser potente, cheio de linguagens).
Na BNCC, o protagonismo está costurado nos Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento. Quando a criança participa, explora e expressa, ela está exercendo seu protagonismo. Os Campos de Experiências exigem que o aprendizado ocorra por meio de experiências reais, e não de folhas de atividades padronizadas.
3. O Protagonismo: A voz que merece ser ouvida
Se a autonomia é a capacidade de agir por si mesmo, o protagonismo é o entendimento de que suas ações e opiniões têm valor social. Uma criança protagonista não é aquela que "manda" nos adultos, mas aquela que é escutada e validada.
4. O desafio do equilíbrio na era digital
O maior obstáculo atual para o protagonismo saudável talvez seja o paradoxo do excesso de telas e a escassez de experiências reais. O mundo digital oferece uma ilusão de controle, mas o protagonismo real acontece no plano físico: no joelho ralado, na negociação de quem vai usar o balanço do condomínio, na frustração de um castelo de areia que desmorona.
5. Mudar o olhar para transformar o futuro
Ao darmos voz e espaço para a infância, não estamos apenas formando os líderes de 2040. Estamos garantindo que o presente dessas crianças seja rico, digno e cheio de significado. Afinal, uma sociedade que respeita a autonomia de suas crianças é, fundamentalmente, uma sociedade que confia no próprio futuro.
Fonte: Assessoria
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