Papo de Especialista
O que existe por trás daquela irritação que parece não ter explicação?
Você reage mais intensamente a algumas situações? Entenda o que o autoconhecimento propõe investigar nesses padrões.
Publicado em 01/10/2026 às 10:20
Aquele incômodo diário com o tom de voz de um colega, a impaciência no trânsito ou a raiva contida diante de alguém que parece invadir os seus limites.
Para a maioria das pessoas, a irritação constante é rotulada apenas como estresse, falta de paciência ou até mesmo como um traço de um temperamento difícil.
Mas e se o verdadeiro significado dessa irritação estiver em outro lugar?
Quando uma atitude externa desperta uma reação emocional intensa, pode existir algo oculto ou até mesmo uma necessidade não atendida pedindo atenção.
E é justamente nesse ponto que algumas abordagens terapêuticas integrativas propõem olhar para além do sintoma.
O exemplo do bruxismo
O bruxismo é o ato de apertar ou ranger os dentes de forma involuntária, especialmente durante o sono.
Com base na Nova Medicina Germânica, existe uma interpretação de que determinados sintomas físicos estariam relacionados a conflitos emocionais vivenciados pela pessoa.
Vou trazer aqui o exemplo de uma paciente que vivia profundamente irritada e frequentemente em estado de tensão.
Ao olhar para sua história, ela percebeu que, quando criança, presenciava situações envolvendo o alcoolismo da mãe. Naquela época, ela vivenciava medo, insegurança e uma série de emoções que não conseguia compreender ou até mesmo poder expressar o que sentia.
Quando a irritação e a raiva são reprimidas para “manter a paz”, o sentimento não desaparece: ele pode se transformar em uma resposta de defesa do organismo, segundo a Nova Medicina Germânica.
Havia também a sensação de precisar conter aquilo que sentia, de não poder reagir, falar ou demonstrar o que sentia.
Durante o sono, quando estamos mais relaxados e o controle consciente diminui, essa tensão poderia se manifestar através do apertamento da mandíbula e do ranger dos dentes.
No caso dessa paciente, através do processo de mapeamento, ela começou a compreender melhor a origem de determinados medos e da irritação que carregava desde a infância, buscando compreender a origem do sintoma.
Percebeu que algumas situações do presente estavam despertando sentimentos que tinham relação com experiências do passado e que isso estava influenciando sua vida adulta.
A partir dessa percepção, ela passou a olhar de outra maneira para as situações que aconteciam no trabalho. Começou a reconhecer seus limites e a assumir uma postura mais assertiva, em vez de permanecer constantemente em estado de estresse.
Com base na Nova Medicina Germânica, quando o conflito é compreendido e considerado resolvido, o organismo entraria em uma chamada fase de reparação, buscando retornar ao equilíbrio.
Mas o que essa história pode nos ensinar?
A irritação diária e os incômodos físicos não precisam ser vistos apenas com culpa ou como um defeito da nossa personalidade.
Eles também podem ser um convite para olhar para dentro.
Às vezes, aquilo que mais nos incomoda em uma determinada situação pode despertar uma pergunta importante:
- Por que isso me afeta tanto?
- O que essa situação está despertando em mim?
- Existe alguma experiência que ainda influencia a maneira como reajo hoje?
Sentir incômodo diante de determinadas atitudes pode se transformar em uma oportunidade de autodescoberta e crescimento pessoal.
Nossa história, nossas experiências e a maneira como aprendemos a lidar com nossas emoções podem influenciar a forma como nos relacionamos com o mundo.
Por isso, olhar para o nosso mundo interior é tão importante.
E talvez essa seja uma das grandes oportunidades do autoconhecimento: transformar a nossa percepção e compreender aquilo que ainda precisa ser cuidado.
Perceber que aquilo que hoje nos incomoda também pode estar nos mostrando algo sobre nós mesmos que ainda precisa ser compreendido e cuidado.
A dor emocional pode trazer uma mensagem. E, quando temos coragem de olhar para ela, podemos descobrir novos caminhos para seguir.
Marcia Sebem - Terapeuta e Mentora
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Fonte: Assessoria
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