Papo de especialista
"Quero segurar a mão das minhas filhas com segurança"
Ricardo Inclusivo compartilha como a acessibilidade garante autonomia, segurança e dignidade para exercer o papel de pai de duas meninas.
Publicado em
14/07/2026 às 17:10
Atualizado em
Quando as pessoas falam em acessibilidade, muita gente pensa apenas em rampas, pisos táteis ou adaptações. Eu também penso nisso, mas, para mim, acessibilidade tem um significado muito mais profundo: ela me permite ser o pai que as minhas filhas precisam.
Sou deficiente visual e, toda vez que saio com elas, quero viver algo que deveria ser simples: caminhar de mãos dadas com segurança. Quando encontro uma calçada acessível, um espaço bem planejado ou uma cidade que considera todas as pessoas, sinto que estou sendo respeitado. Mais do que isso, sinto que posso proteger as minhas meninas, em vez de me preocupar o tempo todo com os obstáculos ao nosso redor.
A falta de acessibilidade tenta nos deixar impotentes. Ela limita, exclui e faz parecer que não pertencemos àquele espaço. Mas o amor de pai não aceita barreiras. Eu só quero ter autonomia para caminhar ao lado das minhas filhas, de cabeça erguida, sendo o porto seguro que elas merecem.
Por isso, quando defendemos acessibilidade, não estamos falando apenas de obras ou infraestrutura. Estamos falando de dignidade, independência e igualdade de oportunidades. Estamos falando do direito de viver plenamente, de participar da sociedade e de construir memórias com quem amamos.
Autonomia também é uma forma de amor. E uma cidade acessível não transforma apenas a vida da pessoa com deficiência; ela transforma a vida de toda a família.
Ricardo Angelino dos Santos, conhecido como Ricardo Inclusivo, é deficiente visual, vice-presidente da Igreja Batista Nova Vida e integrante da Adevivi (Associação dos Deficientes Visuais do Vale do Iguaçu). Morador de União da Vitória há 27 anos, atua na promoção da inclusão, acessibilidade e conscientização social por meio da informação e do diálogo.
Fonte: Assessoria
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