Portal da Cidade União da Vitória

Papo de especialista

Vaginismo: quando a dor impede a mulher de viver sua intimidade

Fisioterapeuta pélvica Ana Betto explica por que a dor na relação sexual não deve ser ignorada e como o tratamento do vaginismo pode ajudar mulheres.

Publicado em 15/07/2026 às 15:51

(Foto: Assessoria)

Sentir dor durante a relação sexual não é normal. Ainda assim, muitas mulheres convivem com esse problema por anos, acreditando que faz parte da vida ou que “é coisa da cabeça”. O vaginismo é uma das causas dessa dor e, apesar de ser mais comum do que se imagina, ainda é pouco conhecido e cercado por tabus.

O vaginismo é uma condição caracterizada pela contração involuntária da musculatura do assoalho pélvico, dificultando ou impedindo a penetração vaginal. Essa contração acontece de forma automática, ou seja, a mulher não consegue controlar ou relaxar a musculatura apenas “tentando”. Dependendo da intensidade, pode causar desde desconforto até uma dor intensa, tornando impossível a relação sexual, a realizado de exames ginecológicos e até mesmo o uso de absorventes internos.

É importante entender que o vaginismo não significa falta de desejo ou de interesse sexual. Muitas mulheres sentem vontade de ter relações, mas o corpo responde com uma contração involuntária como um mecanismo de proteção.

Além da dificuldade na penetração, outras consequências podem surgir, como ansiedade, medo da relação sexual, impacto na autoestima, sofrimento emocional e dificuldades no relacionamento. Muitas mulheres demoram anos para buscar ajuda por vergonha ou por acreditarem que não existe tratamento.


A boa notícia é que o vaginismo tem tratamento e, na maioria dos casos, apresenta excelentes resultados quando abordado de forma individualizada. A fisioterapia pélvica é considerada uma das principais opções de tratamento e possui respaldo científico consistente. O objetivo é restaurar a função normal da musculatura do assoalho pélvico, reduzindo a dor e permitindo uma penetração confortável, sem medo e sem contração involuntária.

Durante o tratamento, podem ser utilizados recursos como terapia manual para redução da tensão muscular, exercícios de respiração e relaxamento, treinamento da coordenação da musculatura pélvica, biofeedback para aumentar a consciência corporal e, quando indicado, dilatadores vaginais utilizados de maneira progressiva e respeitando o tempo de cada paciente. Todo o processo é realizado com acolhimento, privacidade e sem provocar dor.

Em alguns casos, o acompanhamento multiprofissional também pode ser necessário, envolvendo ginecologista, psicólogo ou terapeuta sexual, especialmente quando fatores emocionais estão associados ao quadro. Essa integração contribui para um tratamento ainda mais completo.

É fundamental reforçar que sentir dor na relação sexual nunca deve ser considerado normal. Quanto mais cedo a mulher procura avaliação, maiores são as chances de recuperação e de retomada da qualidade de vida, da saúde íntima e da vida sexual.

Falar sobre vaginismo é quebrar um silêncio que ainda faz muitas mulheres sofrerem sozinhas. Informação de qualidade ajuda a reduzir o preconceito, incentiva a busca por tratamento e mostra que existe solução. Nenhuma mulher precisa conviver com dor, medo ou culpa. Com acompanhamento especializado, é possível recuperar a confiança no próprio corpo e voltar a viver a intimidade de forma saudável e sem sofrimento.


Por Ana Betto – Fisioterapeuta Pélvica

Fonte: Assessoria

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp