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JUSTIÇA

Tribunal do Júri julga acusado de tentar matar vítima com facada no pescoço em Canoinhas

Paulo Roberto da Silva responde por tentativa de homicídio qualificado e furto após ataque ocorrido em julho de 2025

Publicado em 25/09/2026 às 12:54
Atualizado em

Faca usada no crime (Foto: Autos do processo)

O Tribunal do Júri da Comarca de Canoinhas realiza nesta sexta-feira, 25, o julgamento de Paulo Roberto da Silva, acusado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) de tentar matar Luiz Gustavo Leal Coelho com uma facada no pescoço e, na sequência, levar o veículo da vítima. O crime ocorreu em 23 de julho de 2025, em uma lavação de veículos localizada na rua Major Vieira, no bairro Alto das Palmeiras.

De acordo com a denúncia, Paulo foi denunciado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que teria dificultado a defesa da vítima, além do crime de furto. A decisão judicial que levou o caso ao Tribunal do Júri considerou presentes a materialidade do crime e indícios de autoria.

Segundo a acusação, o ataque teria ocorrido após um desentendimento relacionado à locação da lavação, que pertencia ao pai do acusado. Conforme o processo, Paulo teria utilizado uma faca de cozinha para atingir Luiz no pescoço. A vítima sofreu uma lesão cervical grave, com ferimento transfixante, e precisou receber atendimento médico de emergência.

O processo registra que Luiz foi inicialmente levado a uma unidade de pronto atendimento e posteriormente encaminhado a um hospital de Mafra. Ele permaneceu internado até agosto de 2025 e passou por procedimento cirúrgico para tratar lesões traumáticas na região cervical.

A acusação sustenta que a morte não ocorreu devido ao atendimento médico recebido pela vítima. O Ministério Público também aponta que o ataque teria sido repentino, enquanto Luiz estava desarmado e desprevenido, circunstância utilizada para sustentar a qualificadora de recurso que dificultou a defesa.

VEÍCULO FOI LEVADO APÓS O ATAQUE

Ainda segundo a denúncia, depois de atingir Luiz, Paulo teria deixado o local utilizando uma Chevrolet Montana pertencente à vítima. O veículo, avaliado em R$ 43.329, foi posteriormente localizado abandonado em uma via pública de Porto União.

O policial militar ouvido no processo relatou que a equipe foi acionada após a vítima chegar a uma farmácia pedindo socorro, com intenso sangramento. Na lavação, foram encontradas manchas de sangue e uma faca de cozinha com aproximadamente 20 centímetros de lâmina, também com sangue.

Outro policial, que participou da recuperação da Montana em Porto União, relatou que o veículo foi encontrado por volta de 0h30 do dia seguinte ao crime, estacionado na rua José Manzur Guedes, no bairro Monte Líbano. Segundo o depoimento, não havia ninguém no local e o automóvel foi encaminhado à Polícia Civil.

A investigação também analisou as câmeras de segurança existentes na lavação. Conforme depoimento de um policial civil, o equipamento que armazenava as imagens apresentava sinais de dano e algumas gravações haviam sido apagadas. Parte das imagens estava armazenada em nuvem, mas não foram localizadas gravações que mostrassem diretamente o momento do ataque.

VERSÕES APRESENTADAS NO PROCESSO

A vítima afirmou em juízo que foi atacada de forma repentina. Segundo Luiz, Paulo o teria puxado pela jaqueta e desferido a facada no pescoço quando ele se preparava para deixar a lavação. Ele relatou que conseguiu correr até uma farmácia para pedir ajuda e que sofreu consequências físicas após o ataque, incluindo sequelas na fala.

Testemunhas também relataram que os dois mantinham contato frequente e que não tinham conhecimento de conflitos anteriores. Uma delas afirmou que, na manhã do crime, Paulo e Luiz conversavam normalmente.

A defesa, por outro lado, sustentou durante o processo que as provas seriam frágeis e contraditórias. A tese apresentada foi de que o ferimento ocorreu durante uma luta corporal e que Paulo teria agido em legítima defesa. A defesa também contestou a existência de intenção de furtar o veículo, alegando que o uso da Montana não teria ocorrido com essa finalidade.

No interrogatório realizado em juízo, Paulo assumiu ter desferido o golpe de faca e ter levado o veículo, mas afirmou que agiu depois que Luiz teria iniciado uma luta corporal. Ele também negou que o ataque estivesse relacionado a uma dívida de aluguel e apresentou sua versão sobre o desentendimento entre os dois.

O pai do acusado também afirmou acreditar que o filho teria agido em legítima defesa. Em depoimento, disse que não presenciou a briga e que, até então, Paulo e Luiz mantinham uma convivência considerada normal.

Caberá aos jurados, durante a sessão do Tribunal do Júri, analisar as provas produzidas no processo e decidir sobre a responsabilidade de Paulo em relação à acusação de tentativa de homicídio. O processo também envolve a acusação de furto do veículo. A decisão que levou o caso a julgamento foi proferida após a realização da audiência de instrução, com depoimentos de testemunhas, interrogatório do acusado e apresentação das alegações finais pelas partes.

Fonte: JMais Canoinhas

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