papo de especialista
Incontinência urinária na pós-menopausa: por que acontece e como tratar
Escapes de urina não precisam ser aceitos como parte da menopausa. Avaliação e fisioterapia pélvica podem ajudar no controle dos sintomas.
Publicado em 09/09/2026 às 16:04
A perda de urina é uma queixa comum entre mulheres na menopausa e pós menopausa, mas não deve ser considerada uma consequência normal do envelhecimento. É um sintoma que pode ser prevenido, avaliado e tratado e não é preciso esperar que os escapes aumentem ou comecem a interferir na rotina para procurar ajuda.
Durante a menopausa e, principalmente, após ela, a redução dos níveis de estrogênio provoca mudanças em diferentes tecidos do organismo, inclusive na região íntima e no trato urinário. Os tecidos podem ficar mais finos, menos elásticos e ressecados, além de ocorrerem alterações na função da bexiga e do assoalho pélvico, essas mudanças podem favorecer o surgimento ou a piora da incontinência urinária.
Os sintomas podem aparecer de diferentes formas. Algumas mulheres apresentam pequenos escapes ao tossir, espirrar, rir, correr ou praticar exercícios físicos, enquanto outras sentem uma vontade súbita, urgente e incontrolável de urinar, que pode ou não ser acompanhada pela perda de urina. Também é possível apresentar os dois tipos de sintomas.
Por isso, perder urina não deve ser simplesmente aceito como “normal da idade” ou da menopausa. A prevenção começa antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Cuidar do assoalho pélvico, manter hábitos de vida saudáveis, observar o funcionamento da bexiga e buscar orientação profissional diante dos primeiros sinais são medidas importantes para preservar a saúde urinária.
A fisioterapia pélvica tem um papel importante na prevenção e no tratamento da incontinência urinária. A partir de uma avaliação individualizada, é possível identificar como está a coordenação, força, resistência e a capacidade de relaxamento do assoalho pélvico, além de observar hábitos urinários e outros fatores que podem estar relacionados aos sintomas.
O tratamento pode envolver exercícios específicos para o assoalho pélvico, treinamento da coordenação, força e resistência muscular, estratégias para controle da urgência, treinamento vesical, orientações comportamentais e outras técnicas e recursos, sempre de acordo com as necessidades de cada mulher.
Na pós-menopausa, também é importante olhar para a saúde íntima de forma integral. Sintomas como ressecamento, ardência e dor na relação também merecem avaliação e acompanhamento profissional.
Não é preciso esperar a incontinência piorar para buscar tratamento. Quanto antes os sintomas forem avaliados, mais cedo é possível identificar suas causas e iniciar o tratamento mais adequado.
A menopausa é uma nova fase da vida e perder urina não precisa fazer parte dela. Cuidar do assoalho pélvico é também cuidar da autonomia, da confiança e da qualidade de vida da mulher.
Por Ana Betto – Fisioterapeuta Pélvica
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Fonte: Assessoria
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