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Papo de especialista

Frio pode piorar a incontinência urinária: entenda a relação

Baixas temperaturas afetam o funcionamento da bexiga. A fisioterapeuta pélvica Ana Betto orienta sobre prevenção e tratamento.

Publicado em 25/06/2026 às 09:23

(Foto: Assessoria)

Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas mulheres percebem um aumento da vontade de urinar e, em alguns casos, uma piora das perdas urinárias. Embora isso seja frequentemente observado na prática clínica, poucas pessoas sabem que essa relação possui explicação fisiológica e já foi descrita em estudos científicos.

A exposição ao frio provoca uma resposta natural do organismo chamada "diurese induzida pelo frio". Para preservar a temperatura corporal, os vasos sanguíneos das extremidades se contraem, aumentando o volume de sangue na região central do corpo. Como consequência, os rins recebem um maior fluxo sanguíneo e passam a produzir mais urina.

Além disso, o frio influencia o sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle da bexiga. Essa alteração pode aumentar a sensibilidade vesical e favorecer sintomas como urgência urinária, aumento da frequência das micções, necessidade de acordar várias vezes durante a noite para urinar e piora dos episódios de incontinência urinária.

Mulheres que já apresentam bexiga hiperativa ou incontinência urinária costumam ser as mais afetadas durante o inverno. Outro fator que contribui para o agravamento dos sintomas é a diminuição da prática de atividades físicas e o hábito de segurar a urina por mais tempo para evitar sair do conforto das roupas e do ambiente aquecido.

É importante destacar que aumentar as perdas urinárias no inverno é algo comum, mas não deve ser considerado normal. A incontinência urinária possui tratamento e a fisioterapia pélvica é considerada uma das principais abordagens conservadoras para recuperar a função dos músculos do assoalho pélvico, reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

  • Algumas medidas simples podem ajudar a minimizar o problema durante os dias frios:
  • Não segurar a urina por longos períodos;
  • Manter-se adequadamente hidratada, mesmo com a redução da sensação de sede;
  • Evitar o excesso de café e bebidas estimulantes;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Procurar avaliação especializada caso haja urgência urinária frequente ou perdas de urina.

Se a vontade de urinar está mais intensa ou as perdas aumentaram com a chegada do frio, é importante buscar orientação profissional. Afinal, conviver com escapes urinários não deve ser encarado como algo inevitável do envelhecimento ou das mudanças de temperatura.

Por Ana Betto – Fisioterapeuta Pélvica


Fonte: Assessoria

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